Estimando a duração de processos II – processos não lineares

Em um artigo anterior sobre a estimativa da duração de processos, concluímos que a duração do processo é a soma da duração das suas atividades e dos tempos de espera entre elas. Esta fórmula se aplica para processos em que todas as atividades acontecem de forma linear. Entretanto, muitos processos de negócio precisam prever no seu fluxo de atividades caminhos alternativos ou paralelos, o que certamente agrega complexidade a esta avaliação.

Este artigo visa buscar um aprofundamento um pouco maior sobre como estimar a duração de processos nestes casos. Está longe de ser uma referência que cubra todos os cenários possíveis, mas o publicamos com a expectativa de apoiar o processo de compreensão sobre a variabilidade da duração de processos.

Alguns dos principais aspectos de variação em tempos de processos que precisam ser considerados em uma análise de duração são:

  • A ocorrência de fluxos paralelos
  • A ocorrência de fluxos alternativos
  • Repetições (loops)
  • Paradas por espera de eventos externos

 I. Fluxos paralelos
A duração de um conjunto de atividades executadas em fluxos paralelos não pode ser estimada com a simples soma das suas durações e os handoffs, uma vez que elas ocorrem paralelamente, ou seja, podem iniciar ao mesmo tempo. Nestas situações, é necessário estimar-se a duração de cada fluxo paralelo. A duração deste conjunto de atividades é dada pela duração do caminho com a duração maior (já que as atividades dos outros fluxos são executadas dentro deste período).

 II. Fluxos alternativos
A duração de um processo que apresenta a possibilidade de fluxos alternativos terá uma duração variável. A duração do processo poderá variar para mais ou para menos, de acordo com o fluxo que a instância do processo seguir quando o mesmo for executado.

 III. Repetições (loops)
A duração de um processo que apresenta atividades passíveis de repetição também irá variar, com acréscimo da duração desta atividade tantas vezes quantas ela se repetir.

IV. Eventos externos
Processos que dependam da ocorrência de eventos externos para que parte de suas atividades sejam executadas também podem apresentar variações no seu resultado. Neste caso, a variação dependerá do tempo que o processo levará para receber o retorno sobre a ocorrência externa (como aguardar a resposta de um cliente ou fornecedor, esperar um determinado horário programado, etc) para cada instância.

Ao calcular-se a duração de processos, é importante considerar que podem existir cenários em que há, inclusive, a combinação destes aspectos, o que requer uma análise ainda mais cuidadosa.

Partindo -se do entendimento de como estes aspectos podem promover variação do tempo do processo além da simples soma de duração de atividades e esperas em handoffs, podemos perceber que, nestes casos, o processo poderá ter uma estimativa de duração variável, de acordo com os caminhos que cada instância do processo poderá seguir.

Assim, cabe ao analista definir que critério utilizará para identificar qual, afinal, é a duração do processo:

  • Estimativa do caminho crítico (o caminho do processo que executa todas as atividades críticas para o atingimento do bom resultado do processo).
  • Estimativa do caminho padrão (o caminho que é executado no processo na maior parte das vezes).
  • Estimativa do caminho feliz (o caminho no qual o processos é executado no seu melhor caso, com o mínimo ou nenhuma exceção do negócio).
  • Estimativa do melhor caso (a duração mínima esperada da execução do processo).
  • Estimativa do pior caso (quando todas as exceções de negócio possíveis podem ocorrer, gerando o resultado mais negativo possível).

Em um processo não-linear, cada uma destas opções irá possivelmente apresentar um resultado diferente no cálculo da duração.

Técnicas de diagramas de precedência e rede e métodos de análise do caminho crítico, muito comuns no gerenciamento de projetos por exemplo, podem ser empregadas para a realização da estimativa de duração dos processos.

5 ideias sobre “Estimando a duração de processos II – processos não lineares

  1. Pingback: Estimando a duração de processos | Blog da iProcess

  2. Rubens, ficamos muito gratos pela sua mensagem! Para nós é uma grande satisfação o seu reconhecimento – sinal de que estamos produzindo conteúdo que contribui de fato para a comunidade BPM e SOA.
    FIque à vontade para nos enviar suas sugestões de temas, e acompanhe nossas atualizações semanais!
    Um grande abraço!

  3. A questão da determinação do tempo dos processos de negócios está longe de ser equacionada. Há grande espaço para trabalhos acadêmicos sobre o tema. No caso de decisões, por exemplo, uma opção é estimar a probabilidade de que cada uma ocorra. Mas aí fica a questão: qual método utilizar para estimar essas probabilidades. O que não podemos aceitar é a afirmação de que não é possível chegar a estimativas razoáveis.

  4. Certamente Paulo. As estimativas de tempo são importantes para o planejamento da implantação do processo. Não são garantias do comportamento do processo, mas são a melhor forma de planejar expectativas de de duração e custo. Sem elas, a implantação estará dando tiros no escuro. A ideia do artigo é justamente apoiar analistas a compreender como atingir estimativas razoáveis e mais próximas do que se atingirá na realidade.

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