Oracle SOA Suite – Build e Deploy multi-ambiente utilizando scripts ANT

Depois de alguns anos de experiência utilizando o Oracle SOA Suite 11g em diferentes projetos, a iProcess elaborou uma solução para build e deploy dos projetos BPEL e BPM utilizando scripts ANT customizados que, em parte, são disponibilizados pela própria Oracle e, em partes, foram adaptados pela empresa. O post de hoje apresenta essa solução, além de disponibilizar um pacote de scripts de exemplo.

Antes, porém, vamos ‘chover no molhado’ e conceituar simplesmente build e deploy. Vimos, pela experiência de projeto, que nem sempre isso é claro para todos.

  • build: é o ato de ‘empacotar’ o projeto. Todo o projeto será incluído num único arquivo (basicamente um ZIP) que, posteriormente, será enviado para o servidor onde será feita a disponibilização.
  • deploy: é o ato de disponibilizar o projeto ‘empacotado’ no servidor. Para isso, obviamente, serão necessárias as informações do servidor de destino. Note que o nosso post irá tratar bastante desse assunto, já que existem possibilidades de deploy customizados para diferentes ambientes.

Ainda, antes de apresentarmos a solução, queremos responder à pergunta: por que criamos essa opção utilizando scripts ANT? Não seria mais simples continuar realizando o build + deploy via JDeveloper?

Vamos relacionar algumas justificativas:

  • deploy em vários ambientes: é comum em projetos de integração e automação de processos a necessidade de trabalharmos com diferentes ambientes (desenvolvimento, testes, homologação, produção). O projeto é o mesmo. O que mudam são os enpoints dos serviços e informações específicas de conexões, JCA’s, etc. Nesses casos a utilização de arquivos de configuração que contenham as informações dos enpoints e dos outros dados personalizados por ambiente simplifica a vida da pessoa responsável por instalar o projeto nos vários destinos (homologação/produção), bastando selecionar o ambiente destino e realizar o deploy para ele.
  • faça o build uma vez e o deploy muitas vezes: promover o mesmo build para vários ambientes é algo extremamente valioso. Isso dá a garantia de que exatamente o mesmo projeto que foi testado no ambiente X será testado nos ambientes Y, Z… Caso contrário, se algo tiver que ser alterado no projeto depois de já tê-lo testado em algum ambiente (mesmo que essa informação seja o endpoint de algum serviço) sempre existirá a possibilidade de algo estar diferente (inclusive um novo defeito), colocando em risco todos os testes que já foram realizados até então.

Feito. Vamos ao que interessa. Abaixo está descrito o padrão utilizado pela iProcess para build/deploy dos projetos no SOA Suite. A descrição inclui o uso de projetos BPM e HumanTasks. Agradecemos ao Rafael Andrade pela grande contribuição na organização desse material.

A estrutura de diretórios abaixo tem como objetivo permitir que projetos SOA/BPM sejam preparados, desde o seu desenvolvimento, para serem migrados entre os diversos ambientes existentes (desenvolvimento, homologação, produção, etc) sem a necessidade de efetuar ajustes nos projetos durante o build/deploy em cada ambiente específico. Será mais simples ver a descrição desses tópicos com o projeto em mãos. Clique aqui para realizar o download.

 sca
 |-- bin
 |    |-- ear
 |    |-- templates
 |    |     |-- form_application
 |    |     |     |-- application.xml
 |    |     |     |-- build.xml
 |    |     |     |-- build-wars.xml
 |    |     |     |-- local_build.properties
 |    |     |-- form_project
 |    |     |     |-- build.xml
 |    |     |     |-- local_build.properties
 |    |     |-- soa_project
 |    |     |     |-- build.xml
 |    |     |     |-- build-customize.xml
 |    |     |     |-- local_build.properties
 |    |-- war
 |    |-- .adf
 |    |     |-- META-INF
 |    |     |    |-- adf-config.xml.seed.local
 |    |     |    |-- adf-config.xml.seed.server
 |    |-- build_ENV.properties
 |    |-- custom-build.xml
 |    |-- custom-build-app.xml
 |    |-- custom-build-app-common.xml
 |    |-- custom-build-app-mod.xml
 |    |-- custom-build-app-mod-common.xml
 |    |-- custom-build-common.xml
 |    |-- developer_build.properties
 |    |-- global_build.properties
 |-- projects
 |    |-- forms
 |    |      |-- <aplication 1>
 |    |      |      |-- <project 1>
 |    |      |      |-- <project 2>
 |    |      |-- <aplication 2>
 |    |      |      |-- <project 1>
 |    |      |      |-- <project 2>
 |    |-- soa
 |    |      |-- <project 1>
 |    |      |-- <project 2>
 |-- shared
 |    |-- mds
 |    |    |-- apps
 |    |    |    |-- <project name>
 |    |    |    |      |-- fault-policies
 |    |    |    |      |    |-- <fault policies files>
 |    |    |    |      |-- xsd
 |    |    |    |      |    |-- <directories and XSD files>
 |    |-- build.xml
 |    |-- local_build.properties
 |    |-- shared.jpr

Diretórios:
sca: diretório raiz dos projetos SOA/BPM. Este diretório e toda a sua estrutura interna deve ser criado no sistema de controle de versões do projeto.

  • bin: diretório onde estão localizados os scripts de build/deploy e os arquivos de configuração
  • ear: arquivos utilizados na geração do EAR que representa a aplicação Java contendo os módulos web com os formulários das human tasks do projeto. Tanto a estrutura de diretórios interna quanto os arquivos existentes nela são apenas utilizados na geração do EAR, não devendo ser alterados.
  • templates: diretório contendo os templates de arquivos que devem ser copiados para os projetos de acordo com a situação
  • form_application: arquivos que devem ser copiados para o diretório da aplicação Java que conterá os formulários das human tasks. Alguns arquivos devem ser customizados, conforme descrito abaixo.
  • application.xml: arquivo que descreve os módulos da aplicação Java. Deve ser copiado para a pasta raiz de cada aplicação Java, devendo ser customizado a medida que os projetos dos formulários forem sendo criados.
  • build.xml: arquivo que deve ser copiado para a pasta raiz de todas as aplicações Java. Este arquivo contém os imports e referencias para que seja possível fazer build e deploy de cada aplicação.
  • build-wars.xml: arquivo que deve ser copiado para a pasta raiz de todas as aplicações Java, devendo ser customizado a medida que os projetos dos formulários forem sendo criados para conter uma chamada para o build de cada um dos projetos que compõe a aplicação.
  • local_build.properties: arquivo de properties que deve ser copiado para a pasta raiz de todas as aplicações Java, devendo ser customizado para conter o nome da aplicação que deve ser criada. O nome informado neste arquivo deve ser o mesmo informado na tag display-name do arquivo application.xml.
  • form_project: arquivos que devem ser copiados para o diretório dos projetos de formulários das Human Tasks. Alguns arquivos devem ser customizados, conforme descrito abaixo.
  • build.xml: arquivo que deve ser copiado para a pasta raiz do projeto de formulário da Human Task. Este arquivo contém os imports e referencias para que seja possível fazer build e deploy de cada projeto de formulário.
  • local_build.properties: arquivo de properties que deve ser copiado para a pasta raiz do projeto de formulário da Human Task, devendo ser customizado para conter o nome do módulo web que deve ser criado.
  • soa_project: arquivos que devem ser copiados para o diretório dos projetos SOA/BPM. Alguns arquivos devem ser customizados, conforme descrito abaixo.
  • build.xml: arquivo que deve ser copiado para a pasta raiz de todos os projetos SOA/BPM. Este arquivo contém os imports e referencias para que seja possível fazer build e deploy de cada projeto
  • build-customize.xml: arquivo que deve ser copiado para a pasta raiz dos projetos SOA/BPM quando for necessário fazer algum tipo de customização (replace de TOKENS) no configuration plan do projeto. Nestes casos, o arquivo deve ser copiado e atualizado, sendo adicionadas as tags de replace necessárias. Por padrão, os tokens @managed.server.host, @managed.server.port e @partition.name são automaticamente substituidos pelos valores do hostname, porta e partition, respectivamente, buscando dados dos arquivos build_ENV.xml e global_build.properties. Deste modo, o arquivo build-customize.xml só precisa ser criado caso algum outro token adicional precise ser substituido. Por exemplo: nome de filas, caminhos de diretórios, endereço de serviços externos invocados, etc.
  • local_build.properties: arquivo de properties que deve ser copiado para a pasta raiz dos projetos SOA/BPM quando for necessário definir alguma property específica para este projeto. Normalmente este arquivo é necessário quando apenas o configuration plan deste projeto precisa ser customizado com alguma informação que ainda não exista nos demais arquivos de properties e que faça sentido apenas para este projeto.
  • war: arquivos utilizados na geração do WAR que representa cada um dos módulos web contendo os formulários das Human Tasks. Tanto a estrutura de diretórios interna quanto os arquivos existentes nela são apenas utilizados na geração do WAR de cada projeto, não devendo ser alterados.
  • .adf/META-INF: diretório que simula o diretório de uma aplicação SOA/BPM. Neste diretório estão os arquivos necessários para acessar o MDS. Os dois arquivos contidos nesse diretório são templates que o script de deploy utiliza como base (faz uma cópia) para criar o arquivo contendo as informações que efetivamente serão utilizadas para acessar o MDS durante o deploy.
  • adf-config.xml.seed.local: arquivo contendo o template de configurações necessárias para acessar o MDS local na máquina do desenvolvedor.
  • adf-config.xml.seed.server: arquivo contendo o template de configurações necessárias para acessar diretamente o MDS do servidor.
  • build_ENV.properties: arquivo de properties que contém as informações específicas de cada ambiente (desenvolvimento, homologação, produção, por exemplo). Deve ser criado um arquivo de properties por ambiente, sendo o nome ajustado de acordo (build_dev.properties, build_hom.properties, build_prod.properties, por exemplo). Os valores internos também devem ser ajustados para refletirem os valores de cada ambiente. Utilize o arquivo build_ENV.properties como template para construção dos arquivos específicos de cada ambiente.
  • custom-build.xml: script ANT que contém os targets que são expostos para os projetos SOA/BPM. É uma espécie de wrapper para o arquivo custom-build-common.xml, expondo apenas os targets adequados para build e deploy dos projetos.
  • custom-build-app.xml: script ANT que contém os targets que são expostos para as aplicações Java. É uma espécie de wrapper para o arquivo custom-build-app-common.xml, expondo apenas os targets adequados para build e deploy das aplicações.
  • custom-build-app-common.xml: script ANT que contém todos os targets necessários para build e deploy de aplicações Java.
  • custom-build-app-mod.xml: script ANT que contém os targets que são expostos para os projetos de formulários das Human Tasks. É uma espécie de wrapper para o arquivo custom-build-app-mod-common.xml, expondo apenas os targets adequados para build e deploy dos projetos.
  • custom-build-app-mod-common.xml: script ANT que contém todos os targets necessários para build e deploy dos projetos de formulários das Human Tasks.
  • custom-build-common.xml: script ANT que contém todos os targets necessários para build e deploy de projetos SOA/BPM.
  • developer_build.properties: arquivo que contém properties específicas do ambiente de desenvolvimento de cada desenvolvedor. Após baixar toda a árvore de diretórios do sistema de controle de versões, cada desenvolvedor deve customizar este arquivo de acordo com as suas opções de builde e deploy.
  • global_build.properties: arquivo que contém as properties globais do projeto. Neste arquivo estão armazenadas as propriedades que são comuns a todos os componentes do projeto e que não variam de acordo com o ambiente.
  • projects: este diretório irá conter todos os diretórios de projetos SOA/BPM criados, bem como as aplicações e projetos Java criado para os formulários das Human Tasks. Deverão ser armazenados nele os diretórios de projeto com toda a estrutura de pastas criada pelo jDeveloper. Apenas os diretórios de projetos devem ser armazenados, não devendo ser armazenado nele o diretório da aplicação. No caso da aplicação Java que conterá os formulários das atividades humanas, o diretório criado não é o diretório da Application criado pelo jDeveloper, mas apenas um diretório simples para organizar os projetos dos formulários, com so arquivos necessários para o seu build/deploy, de modo que o diretório da application criado pelo jDeveloper não deve ser armazenado.
  • forms: diretório que irá conter as aplicações e projetos Java dos formulários das Human Tasks.
  • <APLICACAO 1>: diretório de uma aplicação Java, com os arquivos de build e deploy copiados do template
  • <PROJETO 1>: diretório de um projeto de formulário de Human Task
  • <PROJETO 2>: diretório de um projeto de formulário de Human Task
  • <…>
  • <APLICACAO 2>: diretório de uma aplicação Java, com os arquivos de build e deploy copiados do template
  • <PROJETO 1>: diretório de um projeto de formulário de Human Task
  • <PROJETO 2>: diretório de um projeto de formulário de Human Task
  • <…>
  • <…>
  • soa: diretório que irá conter os projetos SOA/BPM.
    • <PROJETO 1>: diretório de um projeto SOA/BPM
    • <PROJETO 2>: diretório de um projeto SOA/BPM
    • <…>
  • shared: diretório que contém um projeto especial onde são armazenados os arquivos comuns (policies, wsdls e xsds) que serão importados para o MDS e compartilhados pelos diversos projetos.
  • mds/apps: diretório que representa a mesma estrutura interna do MDS onde devem ser armazenados os arquivos a serem compartilhados.
  • <NOME DO PROJETO/CLIENTE/AREA>: diretório com o nome do projeto/cliente/área, utilizado apenas para organizar os arquivos compartilhados. Em vez de apenas um diretório, pode ser uma árvore inteira de diretórios e arquivos. A estrutura interna desde diretório pode ser criada de acordo com as necessidades do projeto.
  • build.xml: script ANT que contém todos os targets necessários para build e deploy de arquivos compartilhados no MDS.
  • local_build.properties: arquivo de properties específico para customizar o build/deploy dos arquivos compartilhados no MDS.
  • shared.jpr: projeto jDeveloper criado para permitir que os desenvolvedores acessem os arquivos compartilhados de maneira fácil de dentro da ferramenta de desenvolvimento. Basta abrir o projeto dentro da aplicação criada no jDeveloper para ter acesso a estrutura de diretórios dos arquivos compartilhados.

Muito bem! E agora? Como fazemos pra usar tudo isso?

  • Para cada novo projeto SOA que for criado, um arquivo build.xml precisa ser copiado do diretório /sca/bin/template para o diretório raiz do projeto;
  • Se for necessário realizar algum tipo de customização do build/deploy, os arquivos build-customize.xml e local_build.properties também precisam ser copiados;
  • Os scripts ANT necessitam obrigatoriamente que o configPlan seja criado para cada projeto. Esse arquivo de config plan deverá ter o mesmo nome do composite mais o sufixo “_configPlan” e será utilizado como modelo/template para gerar as informações específicas dos configPlans por ambiente.
    • Para criar o config plan, no JDeveloper clique com o botão direito sobre o arquivo composite.xml e selecione a opção “Generate Config Plan”. Aceite o nome padrão sugerido.
    • Substitua no arquivo de configPlan os dados que deverão ser personalizados para cada ambiente por tokens. Estes serão trocados durante o build/deploy pelas informações contidas nos arquivos de properties.
  • Os scripts ANT utilizam o build-customize.xml em conjunto com comandos de pesquisa/substituição para gerar o configPlan customizado para cada um ambiente. Se o seu projeto precisa de qualquer tipo específico de configuração por ambiente, copie esse arquivo do diretório /sca/bin/template para o diretório raiz do projeto. Em seguida, atualize-o com todas as informações de busca/substituição necessárias para o seu projeto.
    • Crei uma instrução de busca/substituição para cada token criado no configPlan.
    • Se você possui qualquer propriedade no seu projeto que precise ser personalizada por ambiente, copie o arquivo local_build.properties do diretório /sca/bin/template para o diretório raiz do projeto e inclua nele todas as propriedades personalizadas.

Uma vez que toda a estrutura de arquivos estiver criada e configurada, é possível rodar os scripts ANT diretamente dentro do JDeveloper. Veja um exemplo abaixo:

Build e Deploy

Build e Deploy

Resultado do build e Deploy

Resultado do build e Deploy

Para concluir, relacionamos abaixo alguns assuntos que não foram tratados nesse posts e que podem ser utilizados em projetos para aperfeiçoar o uso do build + deploy:

  • repositório de arquivos: o diretório sca e seus sub-diretórios podem ser gerenciados usando qualquer tipo de sistema de repositório de arquivos, como SVN, CVS, TFS, GIT, etc. Contudo, normalmente os arquivos da “SOA Application” não são salvos no repositório, já que cada desenvolver deverá criar uma “SOA Application” vazia e incluir na aplicação os projetos que desejar, que estarão disponíveis no repositório (pasta /sca/projects). Também, quando um novo projeto for criado no JDeveloper, é importante cuidar para que ele seja salvo na pasta do repositório (/sca/projects).
  • atualização dos configPlan: atenção com os arquivos de configPlan: eles deverão ser atualizados cada vez que o projeto for alterado e novos dados sensíveis forem incluídos (exemplos comuns de dados sensíveis são hostname, porta e nome da partição do servidor para onde será feito o deploy ou então as informações de hostname e porta dos serviços externos).
  • uso do DVM para controle dos endpoints: uma opção ao uso dos arquivos de properties é a utilização do DVM do próprio SOA Suite para armazenar os endpoints. Isso é totalmente possível e já foi utilizado em projetos desenvolvidos pela iProcess.
  • na minha máquina funciona: o uso de um produto como o Hudson, Maven, etc para centralizar as tarefas de build e deploy é totalmente recomendável. É possível criar tarefas específicas de build e outras de deploy. No caso do build, ele pode ser configurado, inclusive, para buscar as informações diretamente no repositório de dados (SVN, GIT, etc), aumentado a confiança no código desenvolvido e o controle sobre as versões que são implementadas nos vários ambientes. Vai evitar situações do tipo “na minha máquina funciona“.
  • MDS: se esse assunto é novo para você, caro leitor, sugiro dar uma navegada no nosso blog, específicamente nesse artigo que trata desse assunto.

Esperamos ter contribuído para a melhoria dos seus processos de build e deploy no SOA Suite 11g.

SLA – Service Level Agreement

O setor de serviços é o que mais cresce na maioria das economias do mundo – em 2012 foi o único setor a ter alta no Brasil – e na área de TI isso é particularmente verdade, como indica a projeção da  Abradisti – Associação Brasileira dos Distribuidores de Tecnologia da Informação, que prevê um crescimento de 9% em 2013 para o mercado nacional.

O crescimento do mercado de serviços, especialmente na área da tecnologia da informação, e o consequente aumento da quantidade de contratos de prestação de serviços cada vez mais complexos e representando negócios cada vez mais vultosos (no Brasil, cerca de R$ 212,5 BI em 2012) , um maior controle sobre a qualidade dos serviços prestados se faz cada vez mais necessário.

Com esse objetivo, o CCTA – Central Computer and Telecomunications Agency, órgão público do Reino Unido, ainda na década de 80, tomou a iniciativa que originou o ITIL – Information Technoloy Infrastruture Library, uma biblioteca que reúne os conhecimentos reconhecidos mundialmente como as melhores práticas no gerenciamento de serviços de TI, fruto da compilação de décadas de experiência obtidas de empresas públicas e privadas.

ITIL FundationO ITIL descreve e recomenda a utilização de um instrumento, o SLA – Service Level Agreement,  para a celebração de um acordo entre um provedor de serviços de TI e um cliente. Nesse documento devem ser expressas as metas do nível de serviço e devem ser especificadas as responsabilidades de ambas as partes na execução do contrato de prestação de serviço.

SLA – Service Level Agreement

An Agreement between an IT Service Provider and a Customer. The SLA describes the IT Service, documents Service Level Targets, and specifies the responsibilities of the IT Service Provider and the Customer. A single SLA may cover multiple IT Services or multiple Customers.” 

O SLA, portanto, é um documento amplo que serve para balizar a execução de um contrato de prestação de serviços, servir de base para auditoria e fiscalização da execução desse contrato, assegurar os direitos e determinar as responsabilidades de ambas as partes, contratante e contratado.

Erroneamente, o termo SLA tem sido usado para referir apenas o aspecto de prazo de um acordo de nível de serviço. Perguntam “- Estamos dentro do SLA?”, querendo dizer “- Estamos cumpindo o prazo de atendimento de acordo com o combinado no aspecto de PRAZO definido no SLA?”.

Isso em si não é uma incorreção, apenas uma simplificação. A incorreção é que, devido à simplificação, muitos profissionais realmente não sabem que SLA é muito mais que simplesmente o cumprimento prazo de atendimento do incidente.

Some-se a isso o fato de que alguns contratos de prestação de serviços de TI têm como aspecto mais importante o cumprimento de prazos – um outsourcing de suporte técnico, por exemplo – e o acordo de nível de serviço parece ficar restrito apenas a esse aspecto, como se nenhum outro fosse importante. Logo o SLA vira sinônimo de PRAZO, simplesmente.

Entretando, um SLA bem elaborado, na sua integralidade e totalidade, deve:

  • identificar e definir as necessidades do cliente;

  • fornecer uma base para a compreensão do negócio entre as partes;

  • simplificar questões complexas;

  • Reduzir áreas de conflito;

  • promover o diálogo em eventuais disputas;

  • eliminar expectativas irrealistas.

Para tanto, deve contemplar uma ampla faixa de assuntos, tais como (mas não restritos a):

  • serviços a serem entregues;

  • desempenho, monitoramento e relatórios;

  • gestão de problemas;

  • conformidade legal e resolução de disputas;

  • direitos e responsabilidades do cliente;

  • segurança;

  • confidencialidade;

  • direitos de propriedade intelectual;

  • cláusulas rescisórias.

Não é a intenção desse artigo esgotar o assunto, apresentar ITIL ou definir de modo completo como deve ser um SLA – há muitos bons artigos disponíveis, inclusive com templates. Mas se a partir de agora você utilizar o termo SLA corretamente, não apenas em referência ao prazo de atendimento do chamados mas a todos os importantes aspectos do acordo negociado entre cliente e provedor, a leitura desse texto terá sido proveitosa.


Referências:

http://www.itsmf.com.br/portal/?page_id=74
http://www.ifmh.org.uk/inform/13_3.pdf
http://www.itsmnapratica.com.br/5-passos-para-definir-um-bom-acordo-de-nivel-de-servico-sla/
http://www.sla-zone.co.uk
http://www.studyitil.com/images/stories/studyitil/files/ITIL%20V3%20Glossary.PDF
http://www2.valoronline.com.br/empresas/2924854/desaceleracao-da-economia-nao-atinge-setor-de-ti-dizem-associacoes#ixzz2HaiTv7eS

Business Rules e a Dinâmica do Negócio

No âmbito da Gestão por Processos de Negócio, o termo Business Rules refere-se às Regras do Negócio.

A OMG (Object Management Group) em seu documento SVBR (Semantics of Vocabulary and Business Process) apresenta as seguintes definições (p.160).

“Uma RULE (regra) é uma proposição que reivindica obrigação ou necessidade.

Uma BUSINESS RULE (regra de negócio) é uma regra que está sob a jurisdição do negócio.”

Diz ainda:

“Leis da física podem ser relevantes para uma empresa; legislação e regulamentos podem ser impostas a ela; padrões externos e melhores práticas podem ser adotadas. Essas coisas não são regras de negócio do ponto de vista da empresa, uma vez que não tem autoridade para alterá-las. Entretanto, a empresa vai decidir como reagir a leis e regulamentos, e criar suas regras de negócio para assegurar o seu cumprimento. Da mesma forma, ele irá criar regras de negócios para garantir que os padrões ou melhores práticas sejam implementadas como pretendido.”

Na literatura menos formal, encontramos definições mais pragmáticas e fáceis de compreender, como:

“Uma business rule é uma regra que define ou restringe algum aspecto do negócio. Sua declaração é resolvida como verdadeira ou falsa. Business rules buscam determinar a estrutura de negócio ou para controlar ou influenciar o comportamento do negócio. ”
[traduzido de en.wikipedia.org/wiki/Business_rule]

“Uma business rule é uma declaração afirmativa compacta, atômica, bem-formada de um aspecto do negócio que pode ser expressada em termos que possam ser diretamente relacionadas ao negócio e seus colaboradores, usando linguagem simples e não-ambígua, que seja acessível a todas as partes interessadas: business owner (dono do negócio), business analyst (analista de negócio), technical architect (arquiteto técnico) e cliente entre outros.”
[traduzido de GRAHAM, Ian. Business Rules Management and Service Oriented Architecture, 2006]

Por exemplo, uma regra de negócio pode afirmar que “não deve ser realizada verificação de crédito para clientes que retornam para nova compra”, ou “aquisições com valores superiores ao orçamento do centro de custo devem ser aprovadas pelo superintendente”.
Regras de negócio podem ser informais ou até mesmo podem nem estar escritas. Entretanto, a sua formalização, publicação e gerenciamento garantem clareza na operação e a redução de problemas por conflitos de regras.

Em uma iniciativa de Gestão por Processos de Negócio, as business rules, como são definidas e como serão mantidas, são um aspecto importante para fornecer a dinâmica e adaptabilidade requerida pelo negócio.

Uma vez identificadas e definidas com o negócio durante a análise e redesenho de processos, as business rules precisam ser documentadas e disponibilizadas para conhecimento da organização.

Tecnologia em favor da gestão das regras de negócio

O cenário geral das organizações, que possuem sistemas distribuídos para apoiar a diferentes aspectos de negócio, é que muitas das regras estão implícitas na lógica das aplicações que as consomem, dificultando seu gerenciamento pelo negócio. Qualquer necessidade de alteração ou modificação de parâmetros para adequação da regra a uma mudança no negócio requer alteração em sistemas.

Uma das principais ferramentas de tecnologia disponibilizadas atualmente no mercado para suportar a manutenção de regras de negócio são soluções de BRM (ou BRMS, Business Rules Management Systems) que quando combinadas à adoção de um BPMS e de uma arquitetura orientada a serviços (SOA), pode fornecer infraestrutura de negócio muito mais ágil às mudanças do mercado.

BPMS + BRMS: Processos automatizados em BPMS acionam o BRMS para consultar uma regra durante a execução do processo através componentes de invocação de regras (no caso de soluções integradas) ou de chamadas de serviço. Assim, garante que o mesmo seja executado de acordo com as definições do negócio, e, ao mesmo tempo, que o negócio possa modificar uma regra de forma a atingir imediatamente os processos que em breve deverão consumí-la.

SOA + BRMS: Uma arquitetura SOA viabiliza a utilização das regras do BRM por qualquer sistema da organização, tornando possível que as regras mantidas no BRMS sejam consumidas como se fossem serviços, melhorando a governança sobre a utilização das regras pelos sistemas e eliminando-as da lógica interna das aplicações.

Existem no mercado diversas ferramentas de BRM, oferecidas por diferentes fornecedores. A decisão pela melhor solução para cada organização passa por uma avaliação criteriosa não apenas de questões funcionais, mas também culturais, econômicas, políticas e de planejamento da infraestrutura tecnológica da organização. Em geral, a escolha deste tipo de produto requer uma análise combinada à seleção de um BPMS ou seguindo critérios semelhantes (leia mais no artigo A difícil tarefa de escolher uma plataforma BPM para uma organização).

Desafios

Embora conceitualmente seja fácil de se perceber os benefícios da adoção de um BRMS para a manutenção e gerenciamento das regras de negócio da organização, naturalmente a mudança não é tão simples.
Não basta apenas adquirir o produto e cadastrar nele as regras do negócio se os sistemas não as utilizarem. Lógicas de programas, interfaces e integrações precisam ser revistas. Sistemas e processos precisam ser adaptados para consumirem as informações mantidas no BRM. Portanto, não espere resultados imediatos, mas confie que benefícios poderão ser identificados progressivamente à medida que ocorra sua integração com os demais sistemas da organização.

Existe também uma barreira cultural, relacionada à maturidade do negócio e da organização. Muitas vezes a Gestão de TI se opõe à adoção de um BRMS porque isto implica em transferir ao negócio o poder de fazer alterações no comportamento de sistemas sem o envolvimento da TI. Em outras palavras, usuários de negócio podem modificar informações que levem a resultados diferentes na operação. Mas se algo der errado, devido uma regra mal definida ou mal gerenciada, o resultado pode ser desastroso para o negócio, e quem precisará gerenciar e resolver o problema é a TI. Assim, a utilização do BRM precisa ser bem alinhada com o negócio, que deve estar plenamente ciente das implicações e responsabilidades inerentes à alteração das regras. Controles de acesso que restrinjam a alteração de regras a usuários com real responsabilidade sobre elas precisam ser realizados, e políticas claras de alteração de regras organizacionais precisam ser estabelecidas.

 

Como manter a aderência ao modelo TO BE na automatização de processos

Num ciclo BPM típico, o processo TO-BE é desenhado em conjunto com a área de negócios.  A partir daí, de acordo com um conjunto de critérios e avaliações, pode-se optar por seguir o ciclo e efetuar a automatização deste processo numa ferramenta de BPMS.

Durante a implementação e testes de processos automatizados, um dos questionamentos mais recorrentes dos usuários de negócio é de como o fluxo do processo automatizado ficou diferente da visão TO-BE que foi desenhada com a participação deles. Frequentemente existe o questionamento de que o processo automatizado ficou mais “poluido” e com “muitas caixinhas a mais” em relação ao modelo TO-BE original.

Vejamos o processo fictício abaixo, desenhado em um nível mais genérico:

Modelo de Processo TO-BEO que podemos concluir deste processo?

  • Não existe a preocupação em detalhar em nível mais baixo/operacional as atividades, e sim mostrar uma visão de alto nível do processo, para auxiliar na compreensão do mesmo como um todo;
  • Algumas atividades podem estar ocultas, ou podemos ter uma atividade que encapsule outras (caso por exemplo da atividade “Geração e Envio da OC” – possivelmente 2 atividades separadas?);
  • Não está claro se as atividades são de responsabilidade de uma pessoa ou sistema;
  • Não fica claro qual exatamente é o responsável pela atividade, pois a divisão de roles foi feita em nível departamental, e não em papéis/funções (não entrando no mérito se esta seria a melhor abordagem de modelagem).

Este processo cumpre seu papel ao mostrar em um nível mais genérico qual o processo de execução de compras da empresa. Para fins de automação, no entanto, este processo não está no nível adequado. É necessário então um trabalho de levantamento no detalhe da execução deste processo, definindo todas as atividades, responsáveis, regras de negócio, automações, etc.

Vamos agora analisar o mesmo processo anterior, mas desenhado em um nível mais analítico, já em preparação para a automação:

Modelo de Processo TO-DOPodemos notar uma série de diferenças em relação ao processo anterior:

  • Atividades que na visão TO-BE eram uma só, agora foram separadas em atividades diferentes (atividades “Geração da OC” e “Envio OC fornecedor”). Percebam que o contrário também pode ser verdadeiro, ou seja: 2 ou mais atividades no modelo TO-BE podem virar apenas uma atividade no modelo automatizado;
  • O nível de granularidade do processo mudou: em vez de lanes em nível departamental, agora temos exatamente qual o papel/função que executa cada atividade;
  • Utilizando elementos visuais, foi especificado qual o tipo de cada tarefa (humana, automática, email);
  • Foi estabelecido um controle de tempo de execução das atividades, e envio de alertas por email caso as atividades não sejam executadas no seu prazo.

Assim, um processo que no nível TO-BE tinha apenas 3 atividades, virou um processo automatizado com 11 atividades. De certa forma, é fácil entender a perplexidade dos usuários, não?

Vamos tentar entender os motivos porque isso acontece. Durante o detalhamento do processo em preparação a automação, uma série de regras de negócio e de execução do processo são definidas, regras estas que não estavam visíveis no desenho do processo TO-BE. Isso acaba gerando necessidades adicionais na modelagem do processo automatizado, como por exemplo:

  • Buscar dados de apoio numa base de dados, para exibição nas atividades do processo;
  • Fazer transformação de dados entre atividades;
  • Buscar valores de parametrização utilizados pelo processo em sistemas de Back-Office;
  • Invocar procedimentos ou serviços específicos relacionados a regras do processo (ex: serviço institucional para calcular o prazo de uma atividade);
  • Etc.

A “multiplicação” de atividades no modelo automatizado em relação ao modelo TO-BE está ligado, principalmente, aos seguintes fatores:

  • Nível de detalhamento do modelo TO-BE. Em linhas gerais, quanto mais detalhado um modelo TO-BE, maiores são as chances do modelo automatizado ficar semelhante;
  • Recursos e possibilidades de automação da ferramenta de BPMS. Por exemplo, se a ferramenta de BPMS oferece mecanismos nativos para alertas por email, que estejam embutidas na própria configuração das atividades humanas, todas as atividades de alerta que temos no exemplo acima não seriam necessárias, como por exemplo a atividade “Alerta para enviar OC”.
  • O diagrama TO-BE que foi modelado numa ferramenta, mas implementado em uma ferramenta diferente, pode fazer com que uma tarefa que havia sido modelada de uma determinada forma tenha que ser, por restrições e características técnicas do BPMS, implementada de forma diferente.
  • perspectiva sob a qual o processo é modelado. Se o processo TO BE foi modelado unicamente sob a perspectiva de negócio (em que o controle do processo é executado por pessoas), ou se ele foi modelado já sob a perspectiva da automatização (em que o controle do processo é realizado pelo BPMS).

Percebemos, no mercado de ferramentas de BPMS, que existe um movimento no sentido de deixar a transição do modelo TO-BE para o modelo automatizado um pouco mais suave. Na última versão do Oracle BPM 11g, por exemplo, apenas 3 tipos de atividades (humana, serviço e regra de negócio) serão exibidas por padrão na trilha de auditoria dos processos, ocultando outras atividades mais técnicas (ex: adapters, scripts) que possam estar sendo utilizadas.

Podemos ver que não existe uma solução ou resposta simples para esta questão, em virtude da quantidade de fatores envolvidos que podem gerar esta diferença dos processos TO-BE em relação aos processos automatizados.

Uma forma de minimizar este impacto é que a equipe de tecnologia (analista de sistemas) se envolva no redesenho do processo, analisando juntamente com a área de negócio as melhorias tanto sob o aspecto de negócio quanto sob o aspecto tecnológico, de forma que o analista de sistemas traga para o TO BE a perspectiva do processo automatizado.