Problemas comuns na modelagem de processos em BPMN – I – Atividades de transferência do processo

Vamos iniciar hoje uma série de artigos que pretendemos publicar ao longo dos próximos meses, falando especificamente de erros, problemas e inconsistências básicas de modelagem, comuns de ocorrer quando começamos a modelar processos e ainda não conhecemos muito bem a notação BPMN.

Pra começar, vamos falar de uma questão muito frequente, que se refere ao encaminhamento de um papel do processo para outro. Vamos imaginar um processo de Viagens, que foi descrito pela área de negócio da seguinte forma:

  1. Um colaborador solicita a viagem
  2. Solicitação de viagem é encaminhada (atenção especial ao uso desta palavra) para uma área interna chamada “Administrativo”, que tem a responsabilidade de pesquisar e mandar cotações da viagem para o solicitante
  3. Cotações são então encaminhadas de volta para o Solicitante avaliar
  4. Se a cotação for aprovada, processo é direcionado novamente para setor Administrativo comprar os tickets, do contrário processo é direcionado de volta para o setor Administrativo refazer as cotações

Agora veja como o modelador decidiu, inicialmente, representar este processo:

Note que no caso da primeira transferência do processo, do papel “Solicitante” para o papel “Administrativo”, foram criadas 2 atividades:

  • Uma atividade na raia do “Solicitante”, chamada “Encaminhar Viagem para Cotação para Administrativo”
  • Uma atividade na raia do “Administrativo”, chamada “Receber Viagem para Cotação do Solicitante”

O mesmo comportamento foi modelado posteriormente, na transferência do papel “Administrativo” para o papel “Solicitante”, com as atividades “Encaminhar Cotações para Solicitante” e “Receber Cotações do Administrativo”, respectivamente.

Este trecho do processo não está errado do ponto de vista da notação BPMN. Mas o que temos aqui, no entanto, são atividades que na prática não precisariam existir. O modelador optou por explicitar a passagem de bastão de um papel a outro através de atividades de transferência do processo, mas isso não é necessário: em BPMN, o próprio fluxo de sequencia já tem o papel de representar/realizar esta transferência de responsabilidade dentro do processo. Neste caso, como ficaria o desenho do processo ajustado? Veja a seguir:
Perceba que com esta mudança, deixamos o processo mais simples e limpo, ao mesmo tempo mantemos o comportamento esperado.

O conceito de utilizar apenas fluxos de sequência para representar a transferência de atividades dentro do processo costuma se aplicar mesmo que exista, de fato, um encaminhamento físico sendo realizado. Por exemplo, este processo de viagens poderia ser realizado em papel, implicando que o solicitante tivesse que levar fisicamente a solicitação impressa e assinada para o setor Administrativo. Mas mesmo neste caso não seria necessário modelar as atividades de transferência. Caso fosse necessário ressaltar este aspecto de encaminhamento físico de algo, poderiam ser utilizados outros recursos para representar, como adicionar uma anotação ao processo ou documentar esta característica do processo nos procedimentos das atividades.

Um cenário em que poderia ser necessária uma atividade para encaminhar ou receber o processo seria num caso em que as atividades são reconhecidamente manuais, realizadas no plano físico, e que possuem procedimentos adicionais, como protocolar a chamada do documento esperado, carimbar, etc. Por exemplo, num processo logístico poderíamos ter uma atividade da área de “Recebimento” chamada “Enviar material para Estoque”, onde “Estoque” é uma área da organização:

Note que, em linhas gerais, continuamos falando do mesmo exemplo citado no Processo de Viagens: a passagem de bastão de uma área para outra. Se o ato de encaminhamento físico do material de um lugar para outro envolve procedimentos adicionais e tem um tempo de execução relevante (vamos imaginar neste caso uma grande planta industrial, em que seria necessário percorrer a distância entre um setor para outro), ou seja, a atividade consome efetivamente recursos, então neste caso faria mais sentido criar uma atividade de transferência.

Fique ligado para outros artigos desta série no futuro! ;-)

Do processo analógico ao digital: como as novas tecnologias digitais impactarão os processos da sua organização

Neste webinar, Eduardo Britto, Diretor de Consultoria da iProcess, mostra como as empresas podem vencer seus desafios culturais ou organizacionais para transformar os seus processos analógicos em experiências digitais para os seus clientes.

Aqui você assiste ao vídeo gravado do evento apresentado em parceria com a Oracle, ao vivo pela internet para centenas de profissionais, no dia 10/10/2017.



Confira abaixo as respostas para perguntas enviadas por nossos participantes durante o evento:

Pergunta: Qual é a solução de BPMS demonstrada? Oracle BPM?
Resposta: O Oracle BPM é a solução on premise para automação de processos da Oracle, mas neste webinar demonstramos o processo automatizado com o produto Oracle PCS (Oracle Process Cloud Services), que é uma solução que roda totalmente em um ambiente de nuvem.

Pergunta: A ferramenta apresentada é personalizada ou seria uma plataforma da oracle para automatização de processos?
Resposta: O Oracle PCS é uma plataforma de desenvolvimento de processos; a partir dela é possível automatizar todo tipo de processo, como um processo de sinistro (demonstrado no vídeo) até um processo de compras, ou então um processo de viagens, ou de recrutamento e seleção… É tudo uma questão de você planejar como usar a plataforma para buscar a melhoria e a transformação dos seus processos.

Pergunta: Gostaria de saber como vocês fazem a abordagem das empresas para prestação de serviços? como a empresa deve proceder para iniciar a conversa sobre o mesmo?
Resposta: Diríamos que o mais importante é avaliarmos como seriam os nossos processos. Certamente um processo analógico (não digital) tem um grande potencial de ganho com a automação. Então o primeiro ponto é olhar e refletir como agora trabalhar com esses processos em uma visão digital. E a base para isso deve ser a experiencia o seu cliente. Você deve chamar o que dizemos em BPM de “outside in” – olhar na experiência do cliente no contato com seu processo e avaliar como pode torná-la mais inovadora e fácil para seu cliente e a partir daí pensar na automação. Evidentemente, a partir daqui precisará pensar em conjuntos de integrações e em como automatizar ao máximo o que for possível em seu processo.

Pergunta: Como elaborar uma mudança do ERP em Cliente Servidor para ERP na Nuvem?
Resposta: Podemos fazer um gancho aqui com o tema da primeira pergunta, podemos integrar os processos com ERP tanto on premise como na nuvem; e entendemos que em breve praticamente todos os sistemas estarão na nuvem, o que reduz bastante os custos de manter uma infraestrutura própria só para manter as informações. Mas ainda no cenário atual, grande parte dos ERPs já possuem serviços para integração e utilização pelos processos automatizados.

Pergunta: Estou envolvido em um processo de automação de uma empresa de terceirização de serviços, e gostaria de saber se existe algum pattern para auxiliar na automação deste processo. Mesmo considerando a complexidade de cada domínio.
Resposta: Podemos dizer que existem duas situações – processos já prontos e experiências de boas práticas de diversas organizações. Na iProcess já trabalhamos em centenas de processos nestes 17 anos. Nesses projetos, muitas vezes esses processos se repetiram, e foram discutidos, e identificamos o que era bom e o que não era bom e como poderiam gerar ganhos. Hoje elaboramos um pacote de 40 processos que vão de processos administrativos como processos voltados para áreas de negócio específicos, como esteira de crédito, ou processos jurídicos de avaliação de contratos, que podem servir como um ponto de partida para construir uma visão customizada com base na experiência da iProcess e que possibilitam entregar ganhos muito mais ágeis para cada cliente.

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Seja o profissional que vai liderar a Transformação Digital nos negócios da sua empresa

A equipe da iProcess orgulhosamente apresenta o curso de
TRANSFORMAÇÃO DIGITAL ORIENTADA A PROCESSOS,
um programa de treinamento à distância criado para formar os profissionais que conduzirão as organizações para transformar os seus processos com o uso da tecnologia, aliando inovação a eficiência.

Participe desta experiência que alia a teoria à prática, com dezenas vídeo aulas, artigos e cases alinhados com demonstrações de ferramentas e exercícios práticos de modelagem e automação em soluções de diferentes fornecedores, formando conhecimento através de uma vivência que facilitará o desenvolvimento da transformação digital na sua organização.

  • Conheça os conceitos da transformação digital, as tecnologias que viabilizam esta transformação e os benefícios da sua aplicação.
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A parceria entre os processos automatizados e os sistemas já existentes em uma organização

Podemos dizer, a partir da experiência da equipe iProcess em automação de processos, que os processos automatizados e os sistemas informatizados das organizações não competem entre si, eles formam uma parceria, se complementam. Dizemos isto porque são nos sistemas já existentes nas organizações que os processos obtém as informações necessárias para a execução dos fluxos de trabalho, utilizando-se para isto de uma camada de integração. Daí o motivo de acreditarmos que ambos se complementam.

Os sistemas já existentes, que também chamamos de legado, não são descontinuados ao serem integrados ao processo automatizado. O processo será responsável pela conexão entre estes sistemas e os usuários do processo. Através do BPMS (Business Process Management Suite ou System), uma organização automatiza processos para aumentar seu nível de controle e monitoramento na execução dos processos. Assim, um BPMS atua como orquestrador da execução dos processos entre pessoas e sistemas, definindo o fluxo do trabalho e da informação entre estes participantes.

Desta forma, os sistemas se preocupam com o cadastro, atualização e consulta das informações armazenadas em base de dados e os processos com a sua distribuição, tendo o foco na sequência de etapas, prazos, distribuição das atividades, integridade do processo e em fornecer o melhor ambiente possível para que as atividades sejam executadas. Em alguns casos, se faz necessário o armazenamento das informações ao longo do processo, mas são informações específicas para o contexto das instâncias do processo, que servem para controle de estado do fluxo e logs de atividades, por exemplo.

Quando se automatiza um processo, na etapa de levantamento das informações, é que verificamos como a parceria entre os sistemas já existentes na empresa e o processo utilizando BPMS se dará. Algumas das informações levantadas nesta etapa são:

  • Informações consumidas e informações geradas pelo processo, isto é, quais as informações que deverão ser recebidas pelo processo oriundas de sistemas e quais as informações que eventualmente deverão ser enviadas para gravação em sistemas existentes da organização, como, por exemplo, ERP, sistemas contábeis ou cadastros corporativos.
  • Pontos de integração, isto é, em quais atividades do processo deverão ser obtidas/geradas informações que alimentam os sistemas legados.
  • Como que o processo e os sistemas legados conversarão entre si, que normalmente ocorre através da camada de integração, utilizando serviços especialmente construídos para isto.

A implementação de BPMS nas organizações não deve ser orientada a substituir total ou parcialmente os sistemas atuais esperando-se que passe eventualmente a ser o repositório central das informações da organização. O BPMS não é a fonte principal das informações que estão sendo manipuladas, mas atua principalmente como integrador delas, buscando e enviando informações para outros sistemas durante a execução dos processos.

A iProcess disponibiliza em sua plataforma EAD mais informações sobre este assunto, através do Curso TDP – Transformação Digital Orientada a Processos.

Convite para webinar: Do processo analógico ao digital

A iProcess apresenta, em parceria com a Oracle, o webinar:
Do processo analógico ao digital:
Saiba como as novas tecnologias digitais impactarão
os processos da sua organização.

 Com o uso cada vez mais presente em nosso dia-a-dia de tecnologias como Mobile, Internet das Coisas (IoT), computação na nuvem e redes sociais, a digitalização dos processos tornou-se uma exigência do mercado consumidor, que busca formas mais fáceis de interagir com as organizações.

A oferta de soluções cada vez mais amigáveis e próximas ao negócio, oferecidas em ambiente cloud, está tornando a transformação dos processos para o mundo digital cada vez mais acessível a organizações de todo porte.

Neste webinar, Eduardo Britto, Diretor de Consultoria da iProcess, mostrará como as empresas podem vencer seus desafios culturais ou organizacionais para transformar os seus processos analógicos em experiências digitais para os seus clientes.

Participe, o evento é gratuito e será transmitido online ao vivo pela internet!


Apresentado por:
Eduardo Britto, Diretor de Consultoria da iProcess

Data:
10 de outubro de 2017
Horário: 10h (BRT)

Vagas limitadas. Inscreva-se já: