Modelagem de Processos de Negócio: Diferenças entre diagrama, mapa e modelo de processos

Quantas vezes você já se referiu ou ouviu pessoas se referirem a um mesmo desenho de processo como sendo um diagrama de processo ou mapa de processo ou ainda, como um modelo de processo?

Este é um assunto controverso, principalmente para pessoas que estão começando em projetos que envolvem iniciativas de processos de negócio ou iniciando o estudo de BPM.

Dúvida comum que é esclarecida em nosso curso de Modelagem de Processos de Negócio (iPE01). Constatamos que os termos diagrama, mapa e modelo de processos são utilizados, por muitas vezes, de forma errônea, como sinônimos, porém eles na verdade tem diferentes propósitos e aplicações.

Falaremos neste artigo sobre os três níveis de modelagem (diagrama, mapa e modelo), as diferenças em seus desenhos, no nível de detalhamento e utilidade de cada um.

Diagrama, mapa e modelo são três níveis de “representação” de processos.

Estes três níveis de representação de processos diferem-se em níveis de abstração, informação, utilidade, precisão, complexidade, padronização de elementos do fluxo, evolução e amadurecimento do desenho proposto.

diagrama, mapa e modelo de processos

Fazendo uma analogia com mapa geográfico, podemos dizer que o diagrama de processo demonstra a rota que é realizada em uma visão simplificada, com o trajeto percorrido, evidenciando os principais pontos de referência, o local de origem e destino. O mapa do processo apresenta a rota de forma mais detalhada, com elementos como nome de avenidas, ruas, principais pontos de referências, opções de rotas alternativas, trajeto e tempo estimado para cada rota. O modelo de processo apresenta a rota de forma mais completa e precisa, descrevendo a situação atual do trânsito, rota de transporte público, clima na região da rota, além de fotos das avenidas e ruas.

O Diagrama é uma representação inicial do processo. Ele demonstra o fluxo básico focando as principais atividades. Não trata exceções ou falhas no processo.

Utilizado para capturas rápidas no processo, por isto não é muito preciso.
Ajuda a obter entendimento rápido das principais atividades, representando ideias simples em um contexto alto nível.

Esta representação inicial do processo pode significar várias coisas. O diagrama pode representar um macroprocesso organizacional, por exemplo, como também se tratar de apenas um esboço (versão inicial do processo) de uma primeira avaliação.

diagrama de processo

Em um primeiro momento busca-se conhecer os processos identificando as atividades chave. Esta é uma das técnicas mais utilizadas para conhecer os processos organizacionais, conhecida como abordagem top-down, em uma visão de macroprocessos (visão interfuncional) até chegar aos processos operacionais.

Em uma primeira versão, o processo muitas vezes não recebe as informações necessárias para partir diretamente para um nível de mapa ou modelo. Fatores como a precisão e nível de detalhamento influenciam a forma como o processo é modelado. A precisão varia de acordo com a profundidade em que se avalia cada aspecto do processo e suas atividades, e aumenta de acordo com o número de pessoas entrevistadas das áreas que fazem parte dos processos.

O nível de detalhe define o quanto cada processo, sub-processo, atividades, tarefas, procedimentos, atributo ou aspecto é descrito.

O mapa é uma evolução do diagrama, acrescentado de atores, eventos, regras, resultados e um detalhamento do processo. Ampliada para uma visão mais detalhada, o mapa fornece informações de maior precisão do desenho do processo.

Neste nível as atividades do processo e seus objetivos estão mais claros. Foram identificadas as responsabilidades atribuídas ao longo do processo. Isto se deve aos métodos de levantamento de informações utilizadas pela equipe envolvida na iniciativa de BPM.

Através de pesquisas a equipe obteve um entendimento inicial, e segue para as entrevistas com os envolvidos no processo (donos de processos, clientes, fornecedores, pessoas que trabalham no processo, etc). Esta etapa é de grande importância para identificação das regras, validações, caminhos de exceções, papéis e detalhamento de atividades.

Existem diversos métodos para levantamento de informações, como workshops, conferências, observações diretas, etc. Abordaremos este assunto em um próximo post.

A escolha do nível de representação de processos dependerá do propósito da modelagem, em muitos casos, o diagrama ou mapa já são suficientes para representar o processo.

O modelo é a versão final da evolução do processo. Esta representação traz um alto grau de precisão e detalhamento do processo.

Uma grande vantagem é a capacidade de execução do processo através de simulações. Estas simulações geram informações que acercam o desempenho do processo, úteis para analisar/validar a execução do processo.

Este nível de execução requer uma descrição detalhada dos atributos do processo, descrevendo propriedades e características das entradas/saídas, procedimentos/passos, recursos, custos, alocação, simulação, parâmetros de duração, etc. Estes atributos podem ser classificados em categorias e sua documentação varia de acordo com o objetivo da modelagem realizada.

A partir do modelo é possível executar as próximas etapas do ciclo de gestão por processos, como a análise, redesenho, reengenharia, melhoria continua e medição do processo.

Você se interessou pelo assunto?

A área de conhecimento de modelagem de processos fornece o entendimento dos propósitos, benefícios, habilidades e técnicas e é muito utilizada pelas organizações para conhecer, documentar e melhorar processos.
Este tema é explorado com mais profundidade em nosso curso de Modelagem de Processos de Negócio, onde abordamos de forma mais abrangente o tema: http://www.iprocesseducation.com.br/ipe01.html, oferecido pela iProcess Education.

BPMN 2.0 – Novos Diagramas e Elementos: Coreografia no detalhe

No artigo anterior (BPMN 2.0 – Novos Diagramas e Elementos: Introdução a Coreografia) introduzimos o assunto a respeito do Diagrama de Coreografia. Neste artigo nossa proposta é detalhar a coreografia, apresentando os principais elementos BPMN utilizados para uma modelagem completa do diagrama em questão.

O diagrama de coreografia abaixo apresenta os detalhes do comportamento da coreografia, descreveremos logo abaixo cada um dos elementos. 

Elementos do diagrama de coreografia

1. Evento (Event)
Os eventos são elementos comuns a ambos diagramas de coreografia e de orquestração. Representam algo que acontece durante o curso do processo e podem ser de três tipos distintos: Inicio, intermediário e fim.

Dos eventos utilizados no diagrama de orquestração, aplica-se na coreografia os eventos:

Início: simples (none), tempo (timer), condicional (conditional), sinal (signal), múltiplo (multiple).
Intermediário: simples (none), condicional (conditional), ligação (link) e múltiplo (multiple). Atachados a atividade: cancelamento (cancel), compensação (compensation), condicional (conditional), sinal (signal) e múltiplo (multiple).
Fim:  simples (none) e terminate.

Para uma leitura mais detalhada sobre eventos veja os artigos sobre eventos de início e fim e eventos intermediários.

2. Atividade (Activity)
especificação da OMG BPMN versão 2.0, descreve interações entre processos como sendo Message Exchange Patterns (MEPs) ou padrões de troca de mensagens.  A MEP é a Atividade (Activity) de uma coreografia, chamada também de Tarefa de Coreografia (Choreography Task).

Atividade - Interação entre os participantes

3. Desvio (Gateway)
Nos processos de orquestração, os gateways são usados para criar caminhos alternativos ou paralelos para o processo. Da mesma forma acontece na coreografia: as interações entre os participantes pode acontecer em seqüência, em paralelo, ou por meio de seleção exclusiva.

4. Participante (Participant)
Os participantes fazem parte da Atividade de coreografia e corresponde a uma piscina (pool) do diagrama de orquestração.

O participante que inicia a troca de mensagens (parte ativa) é representado pelo fundo branco, já o participante que recebe o primeiro comunicado (parte passiva) está representado com o fundo preenchido (aqui em cinza). O participante que inicia a comunicação pode ser representado na extremidade superior ou inferior da atividade, como demostrado na imagem abaixo:

As atividades de coreografia da esquerda e direita são equivalentes

5. Fluxo de Sequência (Sequence Flow)
É utilizado para demostrar a sequência das atividades de coreografia e só pode se conectar a outros objetos do fluxo como os eventos, gateways  e atividades de coreografia.

6. Mensagem (Message)
Representa a informação contida  na comunicação entre duas entidades ou processos. No caso da coreografia, representa a informação transmitida na comunicação entre os participantes.

A mensagem de início, transmitida pelo participante inicial, é representada pelo envelope de fundo branco e a mensagem de retorno (quando houver) é representada pelo envelope de fundo preenchido.

Mensagem - Elemento que representa a informação contida na comunicação entre os participantes.

Interação entre participantes  e atividade multi-instance
No exemplo abaixo, os participantes Cliente e Concessionária interagem na atividade Compra de automóvel e os participantes Concessionária e Fornecedores de Peças interagem na atividade Solicitação de Orçamento.

Atividade de Coreografia - Representa uma interação entre dois participantes (pools)

A atividade da esquerda, representa a comunicação entre o participante Cliente (que inicia a comunicação) e o participante Concessionária. Nesta atividade o Cliente comunica seu interesse na compra de um automóvel. Já a atividade da direita demostra que um dos participantes pode ser multi-instance: o participante Fornecedores de Peças representa um papel atribuído a mais de um participante (a concessionária solicita orçamento para vários fornecedores de peças).

Atividade de subcoreografia (Sub-choreography task)
Uma atividade de subcoreografia agrega a identificação de todos os participantes envolvidos em um subconjunto de atividades de coreografia, e representa uma coregrafia refinada em interações (várias trocas de mensagens). Pode ser declarado mais de um destinatário, mas apenas uma iniciação pode ser realizada. Graficamente, a atividade pode ser demostrada de forma contraída (collapsed), representado pelo símbolo “+” indicando a existência de outro nível de detalhe. A mesma Atividade de subcoreografia pode ser representada de forma expandida (expanded) apresentando o seu conjunto de detalhes na própria coreografia.

A Imagem acima demostra a atividade de subcoreografia contraída(collapsed), representada pelo símbolo “+” indicando a existência de outro nível de detalhe, e sua representação expandida (expanded).

Com estes elementos, BPMN 2.0 possibilita a criação de um diagrama focado em documentar uma visão objetiva do processo, que pode ser compartilhada entre os participantes sem revelar os pormenores do negócio de cada organização envolvida.

Lançamento do Orquestra 3.0

De Porto Alegre, Kelly Sganderla e Fabiano Dias

A iProcess foi conferir o Lançamento do Orquestra 3.0 em evento, realizado no Centro de Eventos CIEE-RS em Porto Alegre, onde foi apresentada a nova versão do BPMS da Cryo Technologies.

Na apresentação, foram demostradas  as inovações do produto, na qual destacam-se:


Nova Plataforma

A versão 3 do Orquestra foi totalmente reescrita sobre uma nova plataforma tecnológica propiciando a aplicação de uma série de melhorias.

Nova Interface

  • A interface do portal ganhou uma nova área de trabalho, mais atraente e moderna.
  • O “Meu Ambiente de Trabalho” está mais integrado. Além da tradicional lista de tarefas, foi agregada uma nova área de notificações que possibilita o acompanhamento das atividades dos processos em tempo real.
  • Novas funcionalidades permitem a customização visual de cores para a identidade visual do cliente de forma simples e prática.
  • Nova estrutura multilíngue, já preparado para espanhol e inglês. A troca do idioma pode ser realizado tanto na página de login como nas configurações, não sendo necessário a reinicialização do sistema.

Melhor experiência do usuário na execução do trabalho

  • Novos controles na tarefa para maior flexibilização na execução das atividades, com possibilidade de devolver o processo para uma tarefa já concluída, encaminhar tarefa para questionamento a terceiros, cancelar, salvar e fechar.

Nova funcionalidade de consulta a terceiros

  • Melhoria  da usabilidade de execução de tarefa.
  • Mecanismo de arraste-solte para incluir múltiplos arquivos nas tarefas.
  • Filtros avançados de processos com opção de salvar filtro e compartilhamento de relatórios com outros usuários.
  • Mais funcionalidades para relatórios, reescritos com tecnologias que propiciam gráficos melhores, como os relógios e o novo mapa de calor do processo (que aponta as tarefas onde ocorre maior atraso).

Novo mapa de calor do Processo

Desenhador de Fluxogramas padrão BPMN

  • Novo desenhador de processos agora está mais aderente à notação BPMN. Os componentes anteriores foram remodelados e adequados aos respectivos elementos da notação.

Desenhador de processos

  • A ferramenta de modelagem está mais rica em experiência do usuário, com auto-alinhamento e melhor organização dos elementos do fluxo do desenho.
  • Definição/detalhamento das tarefas e formulários agora está integrada diretamente ao desenho do processo, propiciando maior produtividade na preparação do processo automatizado.
  • Criação dos formulários está mais visual e tem com editor integrado de scripts e estilos.
  • Gerenciamento do controle de acesso do processo desde a sua criação.
  • Importa o desenho do fluxo a partir de arquivos de modelos XPDL (como BizAgi) e Visio 2013.

Social/Colaborativo

  • Perfil do usuário agora conta com foto, que é apresentada em todos os históricos, chats e notificações, facilitando a identificação dos processos e seus participantes.
  • A nova área de notificação em tempo real mostra atualizações de status de processos em que o usuário está envolvido.
  • Chat online com usuários conectados, possibilitando que os usuários possam realizar consultas rápidas a outros colaboradores durante a execução da tarefa.

Inovações tecnológicas

  • O produto segue em plataforma Microsoft .NET, agora atualizado para .NET 4.0.
  • Suporta bancos de dados SQL Server e Oracle, ambos em suas últimas 4 versões (em homologação para Oracle 12g).
  • Incorporação de plugins para controles de skins e customização visual mais facilitada.
  • HTML 5: Última versão de linguagem para estruturação e apresentação de conteúdo, que apresenta novas funcionalidades de semântica e acessibilidade.
  •  Minificação de arquivos como JS e CSS, reduzindo o tráfego e beneficiando o desempenho do produto.
  • Mobilidade e multiplataforma: Suportado nos principais browsers do mercado (Chrome, Firefox, InternerExplorer, Safari) e plataformas móveis (iOS, Android, WindowsPhone e BlackBerry).

Apesar das inovações, empresas que já utilizam o Orquestra 2.x não deverão ter impactos na migração para a nova versão.

O release oficial está previsto para o dia 9 de setembro de /2013.

A partir do lançamento, o posicionamento da Cryo é acompanhar a implantação e uso do Orquestra 3 para avaliar o impacto das inovações e definir as próximas prioridades no roadmap do produto.

Conclusões
Percebemos no Orquestra 3 uma  evolução especialmente na melhoria da experiência do usuário na interação com o sistema – um aspecto chave para que a automação de processos possa ganhar mais adeptos dentro da organização.
Também vislumbramos um possível ganho em produtividade no desenvolvimento dos processos com o novo desenhador, que passou a seguir o padrão BPMN na representação dos processos e a integração da criação de formulários ao modelo do processo.
O investimento na criação de um ambiente mais social, com notificações em tempo real e chat, parecem ser uma boa aposta para o produto, já que esta vem se demonstrando uma tendência para o mercado dos BPMS.

Nesta sexta, 30/8, a Cryo realiza um webcast de apresentação do produto.

Para maiores informações sobre o Orquestra 3, visite o site do produto: http://www.cryo.com.br.

BPMN 2.0 – Novos Diagramas e Elementos: Introdução a Coreografia

Com frequência a notação BPMN tem sido tema de nossos artigos no blog, em geral relacionados aos elementos do diagrama de orquestração. Entretanto, desde 2011 a notação agregou, em sua última revisão, dois novos diagramas à especificação, o diagrama de conversação e o diagrama de coreografia.

Iniciaremos neste artigo o assunto a respeito das novidades relacionadas aos novos diagramas, começando pelo diagrama de coreografia, então vamos lá!

Diagrama de Coreografia (Coreography Diagram)

Para BPMN a Coreografia  é um tipo de diagrama que difere em propósito e comportamento da representação de um processo de negócio padrão (diagrama de orquestração).

O diagrama de orquestração é o mais conhecido e utilizado pela maioria das ferramentas de modelagem e define o fluxo das atividades do processo de  uma organização. Em contraste, a coreografia  define como processos interagem uns com os outros.

Na coreografia o foco não está na orquestração do trabalho realizado entre os participantes, mas sim na orquestração da troca de informações (mensagens) entre os processos da organização e de outros agentes externos (processos de fornecedores, clientes, etc), demostrando a dinâmica da comunicação entre eles.

As atividades de coreografia são conectadas em um fluxo lógico que representa toda a troca de informações e suas interações que acontece naquele processo de negócio.

Diagrama de Coreografia - foco está na troca de mensagens entre os processos (participantes)

Diagramas de coreografia podem ser vistos também como um contrato de negócio entre os participantes, onde o foco está na troca de informações (mensagens), implica no envio ou recebimento de algum tipo de documento, como é o caso do diagrama acima, onde o contrato de negócio está na forma de uma ordem de compra. Este diagrama representa o Processo de Ordem de Compra, o fluxo demostra a comunicação entre os três participantes (Varejista, Fornecedor e Fornecedor Externo).

Agora veja o mesmo processo representado pelo diagrama de orquestração, evidenciando a orquestração do trabalho realizado entre os participantes e  a sequência das atividades do processo de negócio.

Diagrama de Orquestração - foco na orquestração do trabalho realizado entre os participantes.

Cada participante representa uma piscina (pool) do diagrama de orquestração, raias (lanes) não são representadas no diagrama de coreografia e conectores de fluxos de atividades (message flow) viram atividades na coreografia. Veja este outro exemplo abaixo.

Os participantes representam a piscinas do diagrama de orquestração e os fluxos de atividades viram atividades na coreografia.

Resumindo, podemos dizer que Diagrama de Coreografia:

  • Focaliza a forma como os participantes trocam mensagens, demonstrando a comunicação entre os eles;
  • É a representação dos processos e suas interações;
  • Demonstra o comportamento esperado entre os participantes;
  • É o contrato de negócio de interação entre os participantes.

No artigo seguinte desta série: BPMN 2.0 – Novos Diagramas e Elementos: Coreografia no detalhe, nos aprofundamos um pouco mais no assunto, apresentando os principais elementos BPMN que contribuem para uma modelagem completa. Um descrição detalhada de cada elemento, suas características e como eles são usados em uma coreografia.

Esperamos que tenham gostado desta introdução ao assunto, fiquem a vontade para fazer seus comentários, tirar dúvidas, críticas e sugestões são sempre bem vindas.

BPMN: Modelando processos de negócio com elementos avançados (Parte IV)

Neste quarto e último artigo da série “BPMN: Modelando processos de negócio com elementos avançados”, abordaremos de forma especial o subprocesso de eventos, levando em conta as definições de notação.

Subprocesso Eventual (Event-Subprocess)

O subprocesso eventual é parte opcional do processo e é utilizado para tratar com eventos excepcionais que ocorrem no processo pai.

Subprocessos eventuais são acionados pela ocorrência de um evento previsto durante a execução do processo principal. Assemelham-se a outros tipos de subprocessos contidos dentro de um processo pai (e não são reutilizáveis), mas dintinguem-se de outros subprocessos, pois não são ligados ao  fluxo de sequência do processo principal, uma vez que só serão iniciados quando a trigger do evento de início for acionada.

O Subprocesso eventual é representado graficamente por um retângulo com bordas arredondadas e linha tracejada. Na forma contraída, apresenta um símbolo [+] na base inferior implicando no entendimento que esta atividade contém um conjunto de tarefas. Também pode ser representado na forma expandida, demostrando assim seu fluxo no processo pai.

Subprocesso eventual (ou subprocesso de eventos) - Representado pela imagem da esquerda na forma contraída e na imagem a direita na forma expandida.

Um subprocesso de eventos pode ter somente um evento de início e este evento deverá ser necessariamente disparado por algum fato específico que gere seu início (catch). Em outra palavras, o subprocesso eventual não pode ser representado pelo evento de início “none”.

Este fato específico (que gera o início do subprocesso de evento) pode significar as mais diferentes informações. Vejamos as mais comuns:

  • Um fato temporal: uma data (Ex. 01 de março) – Simbolizado por um relógio.

  • Por uma mensagem: Com a chegada de uma informação (Ex. Um documento, um e-mail, um telefonema) – Simbolizado pelo envelope branco.

  • Uma condição: Ex. Estoque menor que 10 unidades – Simbolizado por formulário.

  • Um sinal: Quando algo estiver errado (Ex. Sistema do cumprimento do pedido não respondido) – Simbolizado por um triângulo vazado.

Para mais informações sobre eventos confira os artigos Um guia para iniciar estudos em BPMN (III): Eventos de Início e Fim e Um guia para iniciar estudos em BPMN (IV): Eventos Intermediários.

Event-Subprocess Interrupting e Event-Subprocess Non-Interrupting

Falando um pouco mais sobre o evento de início de um subprocesso eventual, apontamos dois tipos que definem qual o impacto que o subprocesso causará no processo pai. São eles:

Event-Subprocess Interrupting – Evento que interrompe o fluxo do processo principal (pai). Representado por um círculo com linha contínua.

Event-Subprocess Non-Interrupting – Evento que não interrompe o fluxo do processo pai. O processo ocorre em paralelo. Representado por um círculo com linha tracejada.

O exemplo a seguir demonstra o uso de subprocessos eventuais, em um processo muito comum de “Pedido de Reservas”, envolvendo reservas de voo e hotel.

Durante a execução deste processo, podem ocorrer o disparo de qualquer um dos dois subprocessos eventuais:

1 – Pode ocorrer o cancelamento do processo de reservas, interrompendo o processo de negócio e com isso finalizando a solicitação de reservas. Veja que o evento que inicializa o subprocesso eventual de cancelamento é representado graficamente com uma borda de linha contínua (Event-Subprocess Interrupting). Isso significa que ele interromperá a execução do processo principal, e executará este subprocesso.

Event-Subprocess Interrupting

2- Caso o processo não seja cancelado, o cliente pode enviar um pedido de “Status”, retornando a informação da situação do pedido das reservas. Como o evento que inicializa este subprocesso é representado com uma borda com linha tracejada (Event-Subprocess Non-Interrupting), o processo principal não é interrompido, com isso subprocesso eventual é executado em paralelo ao processo principal, fazendo com que o pedido de status seja atendido paralelamente às atividades do processo pai.

Event-Subprocess Non-Interrupting

 

Importante:
– O subprocesso eventual non-interrupting pode ser executado várias vezes durante a execução de um processo, e pode ter várias instâncias em execução em paralelo.

– Uma vez que o processo principal tenha sido concluído, mesmo que o fato gerador do evento ocorra, o subprocesso eventual não será acionado, pois seu ciclo de vida depende do processo principal. Por exemplo, o cliente solicita o pedido de status do pedido porém o processo principal já foi finalizado, este pedido não será processado.


Confira todos os artigos deste guia de BPMN: Modelando processos de negócio com elementos avançados:

BPMN: Modelando processos de negócio com elementos avançados (Parte III)

Prosseguindo com nosso estudo de elementos avançados, neste terceiro artigo da série abordaremos um dos elementos mais utilizados no fluxo de um processo de negócio: os Gateways.

Gateways

Gateways são os elementos de BPMN responsáveis por controlar iterações do fluxo, criando caminhos alternativos ou paralelos no mapeamento do processo ou unificando fluxos para continuação em uma mesma sequência de atividades.

No artigo Um guia para iniciar estudos em BPMN (II): Gateways, vimos também que o gateway é conectado ao fluxo através de setas de fluxo de sequência e é representado visualmente por um losango. O símbolo interno do losango identifica a interpretação lógica representada. Para um estudo completo sobre os gateways indicamos a leitura deste artigo.

Com foco em elementos avançados falaremos sobre dois dos cinco diferentes gateways.

Exclusive Event-Based Gateway

O desvio condicionado por evento é semelhante ao Gateway exclusivo (Databased Exclusive Gateway): indica pontos do processo em que o gateway exclusivo não se baseia em dados de processo, mas sim sobre as mensagens ou eventos externos. Esta forma é usada para exercer controle sobre a execução de determinadas atividades que ficam disponíveis até que um dos eventos sejam executados.

Gateway exclusivo condicionado por eventos – decisão depende do resultado dos eventos imediatamente posteriores a ele.

No gateway condicionado por um evento específico, normalmente o recebimento de uma mensagem determina o caminho que será tomado. Basicamente a decisão é tomada por um outro participante, com base em dados que não são visíveis ao processo e, assim, exigindo o uso do gateway baseada em eventos.

Podemos imaginar: quando nosso processo chegou ao evento baseado em gateway, vamos esperar até que algo aconteça. O evento geralmente é disparado por terceiros (por exemplo, o nosso cliente envia o pagamento para nós). Abaixo é a porta baseada em eventos típicos. Enviamos uma cotação para o cliente, aguardando o cliente confirmar o pedido. Se o cliente envia a confirmação, vamos preparar as mercadorias para o cliente. Se não receber qualquer confirmação do cliente após 15 dias, o pedido é cancelado. Veja o processo abaixo.

Gateway exclusivo condicionado por eventos – O primeiro evento disparado cancela os demais eventos. No exemplo acima, ou o processo recebe a confirmação do pagamento e envia o pedido, ou o processo é cancelado pelo pelo cliente por não ter confirmado em até 15 dias.

Complex

Gateway complexo é usado para modelar o comportamento de sincronização complexa. É sempre indicado que antes de utilizar o gateway complexo, tente usar a combinação de tipos diferentes de gateways.

Gateway Complexo – Criado para dar maior flexibilidade ao BPMN.

Uma Activation Condition Expression (Expressão de ativação de condição) é usada para descrever o comportamento preciso do gateway complexo.

Por exemplo, essa expressão poderia especificar que os tokens em três dos cinco fluxos de sequência de entrada são necessários para ativar o gateway do processo abaixo.

Gateway Complexo – Quando a combinação do fluxo não pode ser utilizada por nenhum outro gateway utiliza-se o gateway complexo.

Obrigado a todos e até nosso próximo artigo!


Confira todos os artigos deste guia de BPMN: Modelando processos de negócio com elementos avançados: