Problemas comuns na modelagem de processos em BPMN – I – Atividades de transferência do processo

Vamos iniciar hoje uma série de artigos que pretendemos publicar ao longo dos próximos meses, falando especificamente de erros, problemas e inconsistências básicas de modelagem, comuns de ocorrer quando começamos a modelar processos e ainda não conhecemos muito bem a notação BPMN.

Pra começar, vamos falar de uma questão muito frequente, que se refere ao encaminhamento de um papel do processo para outro. Vamos imaginar um processo de Viagens, que foi descrito pela área de negócio da seguinte forma:

  1. Um colaborador solicita a viagem
  2. Solicitação de viagem é encaminhada (atenção especial ao uso desta palavra) para uma área interna chamada “Administrativo”, que tem a responsabilidade de pesquisar e mandar cotações da viagem para o solicitante
  3. Cotações são então encaminhadas de volta para o Solicitante avaliar
  4. Se a cotação for aprovada, processo é direcionado novamente para setor Administrativo comprar os tickets, do contrário processo é direcionado de volta para o setor Administrativo refazer as cotações

Agora veja como o modelador decidiu, inicialmente, representar este processo:

Note que no caso da primeira transferência do processo, do papel “Solicitante” para o papel “Administrativo”, foram criadas 2 atividades:

  • Uma atividade na raia do “Solicitante”, chamada “Encaminhar Viagem para Cotação para Administrativo”
  • Uma atividade na raia do “Administrativo”, chamada “Receber Viagem para Cotação do Solicitante”

O mesmo comportamento foi modelado posteriormente, na transferência do papel “Administrativo” para o papel “Solicitante”, com as atividades “Encaminhar Cotações para Solicitante” e “Receber Cotações do Administrativo”, respectivamente.

Este trecho do processo não está errado do ponto de vista da notação BPMN. Mas o que temos aqui, no entanto, são atividades que na prática não precisariam existir. O modelador optou por explicitar a passagem de bastão de um papel a outro através de atividades de transferência do processo, mas isso não é necessário: em BPMN, o próprio fluxo de sequencia já tem o papel de representar/realizar esta transferência de responsabilidade dentro do processo. Neste caso, como ficaria o desenho do processo ajustado? Veja a seguir:
Perceba que com esta mudança, deixamos o processo mais simples e limpo, ao mesmo tempo mantemos o comportamento esperado.

O conceito de utilizar apenas fluxos de sequência para representar a transferência de atividades dentro do processo costuma se aplicar mesmo que exista, de fato, um encaminhamento físico sendo realizado. Por exemplo, este processo de viagens poderia ser realizado em papel, implicando que o solicitante tivesse que levar fisicamente a solicitação impressa e assinada para o setor Administrativo. Mas mesmo neste caso não seria necessário modelar as atividades de transferência. Caso fosse necessário ressaltar este aspecto de encaminhamento físico de algo, poderiam ser utilizados outros recursos para representar, como adicionar uma anotação ao processo ou documentar esta característica do processo nos procedimentos das atividades.

Um cenário em que poderia ser necessária uma atividade para encaminhar ou receber o processo seria num caso em que as atividades são reconhecidamente manuais, realizadas no plano físico, e que possuem procedimentos adicionais, como protocolar a chamada do documento esperado, carimbar, etc. Por exemplo, num processo logístico poderíamos ter uma atividade da área de “Recebimento” chamada “Enviar material para Estoque”, onde “Estoque” é uma área da organização:

Note que, em linhas gerais, continuamos falando do mesmo exemplo citado no Processo de Viagens: a passagem de bastão de uma área para outra. Se o ato de encaminhamento físico do material de um lugar para outro envolve procedimentos adicionais e tem um tempo de execução relevante (vamos imaginar neste caso uma grande planta industrial, em que seria necessário percorrer a distância entre um setor para outro), ou seja, a atividade consome efetivamente recursos, então neste caso faria mais sentido criar uma atividade de transferência.

Fique ligado para outros artigos desta série no futuro! ;-)

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Em que nível devo modelar meu processo?

Uma das principais atividades na transformação de um processo é a sua modelagem. Seja no princípio do projeto, para representar a sua situação atual (AS IS), a criação de modelos para simulação ou comparação de variações, a definição da sua visão de futuro (TO BE) ou o fluxo a ser implementado para automação, a modelagem é importante na representação do processo que está sendo detalhado ou melhorado.

A representação visual do modelo utilizando uma notação gráfica como BPMN é um dos seus aspectos chave da modelagem. O nível de detalhe das atividades no diagrama de processos, entretanto, é frequentemente tema de debate entre os profissionais de Processos.

A notação BPMN, apesar de poderosa e de ter uma gramática bem definida quanto ao uso dos seus elementos, não estabelece qual seria o nível ideal de modelagem do processo. Ela define formalmente que “uma atividade representa um trabalho”. Mas devemos ir por uma abordagem mais alto nível do significado de trabalho (o “trabalho” é aquilo feito por uma área inteira?) ou mais baixo nível (o “trabalho” é cada ação realizada por alguém para atender ao resultado objetivo do processo?).

Não há uma regra para isso, e na verdade cada tipo de modelo pode requerer um nível de detalhe diferente no mapeamento do processo, de acordo com o propósito para que serve aquele modelo.

Por exemplo, em uma reunião no qual estamos buscando um entendimento amplo sobre o processo, com uma visão ponta a ponta em que possamos identificar suas principais etapas, um nível alto seria o mais apropriado.
Mas e quando vamos mapear um processo que será usado como material de treinamento, num manual de processos ou para descrever o trabalho de uma determinada etapa?

Existem alguns critérios que podem ser interessantes de serem questionados pela equipe ao definir o nível de modelagem do processo que estamos criando.

Como oportunidade de reflexão, um de nossos leitores contribuiu recentemente com dois exemplos de processos. Vamos tomar por base então o seguinte exemplo:

1) Nesse fluxo, podemos perceber que o fluxo do mapeamento está em nível de procedimento, não de trabalho. O trabalho seria, por exemplo, “Avaliar baixa”, que envolve esta sequência de procedimentos: Consultar arrecadações, selecionar arrecadação, …, até confirmar baixa manual. Embora exista uma sequência entre eles, pode ser uma sequência flexível, em que a ordem dos itens pode eventualmente mudar na operação da pessoa no sistema. Esse nível de detalhe é bem comum de ver em processos modelados por profissionais de TI. Cuidado para não confundir o fluxo de trabalho com o fluxo de interação com sistema. Para esse segundo, devemos utilizar UML (Diagrama de sequência ou diagrama de atividades ou até mesmo passos de um Caso de Uso).

2) Pensando no por quê modelamos processos no nível de operação, geralmente fazemos isso para entender o processo e ter um parâmetro para avaliar o seu desempenho, certo? Assim, normalmente as tarefas são utilizadas para determinar o trabalho do processo, onde podemos medir o tempo e custo da sua realização. Neste sentido, será que realmente interessaria para a organização mensurar detalhadamente quanto tempo leva para executar cada um desses passos? Ou é mais importante entender quanto tempo, dentro da dinâmica do processo, um profissional leva para realizar a análise e a baixa, de uma forma consolidada?

3) Geralmente quando mapeamos nesse baixo nível, fica mais difícil representar as exceções. Por exemplo, no caso em que qualquer um desses passos seja possível o ator voltar atrás em alguma ação. Nesse fluxo, teríamos que desenhar também todas as possibilidades de voltar e refazer algum passo. Ou seja, após ele selecionar o ingresso, ele terá que selecionar uma parcela. Mas se ao selecionar a parcela ele se der conta que escolheu o lançamento errado, ele poderia voltar pra selecionar outro lançamento?

4) Um outro fator a considerar é a manutenibilidade do processo. Queremos dizer com isso que qualquer mínima alteração nas ferramentas podem fazer com que você tenha que criar uma nova versão do seu diagrama de processo, tornando a manutenibilidade da documentação mais custosa e também dando mais chance para ela se tornar rapidamente obsoleta.
Se você tem uma tarefa “Avaliar baixa” e nela descreve os procedimentos, e a sua organização mudar do sistema XPTO para o sistema MEGAXPTO, o trabalho feito pela organização continuará sendo o mesmo, que é avaliar a baixa. O processo não mudou, o que mudou foi a ferramenta. Assim, no nível de mapeamento do trabalho, a manutenção fica mais fácil porque não precisará mudar o fluxo, apenas atualizar o procedimento (passos realizados naquela atividade, que podem ser descritivos complementares ao desenho do fluxo).

Se o plano for automatizar o processo, esses critérios podem ser ainda mais relevantes, porque o motor de processos é muito literal na interpretação do modelo. Confira uma outra reflexão semelhante que já fizemos sobre o assunto aqui no Blog da iProcess no artigo: Estudo de Caso: Automatizar o processo (ou não)? Eis a questão!

 

Como representar exceções no fluxo do processo em BPMN?

Com alguns anos de experiência participando de projetos e treinamentos envolvendo processos de negócio, percebemos situações recorrentes quanto à aplicação de exceções na lógica do fluxo do processo de negócio que está sendo desenhado e documentado. A boa modelagem de processos de negócio em BPMN é o resultado do domínio da notação (estudo e compreensão dos elementos), mas para uma modelagem que represente corretamente uma situação de negócio, não basta saber aplicar as regras da notação BPMN, conhecer seus símbolos e o que cada um significa. É preciso também entender os detalhes da lógica do processo de negócio em questão.

Vou aproveitar o tema para repassar as regras da notação BPMN relacionadas à representação de exceções durante a execução de atividades, apresentar algumas ilustrações, de forma a esclarecer algumas dúvidas e confusões comuns quanto à representação da lógica do negócio.  

Como já tratado em outros artigos, atividades retratam o comportamento ou trabalho realizado em um contexto do processo, gerando uma transformação (resultado) ao final deste trabalho. Atividades que podem gerar mais de um resultado normalmente são testadas, pois levam o fluxo por caminhos diferentes (alternativos ou paralelos). Para contextualizar, usarei como exemplo um processo fictício de liberação de crédito, representado abaixo. 

No exemplo, o Processo de Liberação de Crédito realiza dois trabalhos para identificar se o crédito pode ou não ser aprovado. O Processo consiste em analisar se comprador possui restrições de crédito e limite para liberação de crédito.

O processo possui duas tarefas que analisam se o solicitante pode receber o crédito solicitado. A primeira tarefa Consultar situação de crédito (Tarefa de Usuário) analisa se solicitante está em situação de inadimplência ou sem débitos. Caso a tarefa resulte por situação de crédito por inadimplência, o processo é automaticamente finalizado por solicitação reprovada. Se não houver débito(s) o processo segue para verificação do limite. A segunda tarefa Verificar limite de crédito (Tarefa de Serviço) analisa se o solicitante possui limite para liberação de crédito solicitado. Caso o limite de crédito esteja dentro do limite solicitado, o processo é finalizado por solicitação aprovada. Se o limite de crédito estiver abaixo do solicitado, o processo é automaticamente finalizado por solicitação reprovada.

Mapeando exceções nas atividades do fluxo do processo

Descrevi acima um fluxo típico de processo de liberação de crédito, onde a situação de negócio está bem explícita em cada uma de suas tarefas, tanto no que consiste o trabalho realizado, quanto suas saídas (possíveis resultados). Porém algumas situações fora do comum, que não se espera que aconteçam (mas que podem acontecer) foram ignoradas. Estas situações são conhecidas também por exceções. Vejamos algumas situações que deverão ser representadas no fluxo do processo de liberação de crédito.

Situação 1

A tarefa Consultar situação de crédito deve conter um prazo para execução e, caso o prazo seja excedido, uma notificação deverá ser disparada para o responsável.

Situação 2

Caso uma informação de referência da tarefa Consultar situação de crédito estiver incorreta (ex. cpf inválido) e não for possível finalizar a tarefa, deverá ser realizado um tratamento para correção da informação.

Situação 3

Caso o serviço utilizado na tarefa Verificar limite de crédito estiver indisponível ou apresentar erro na sua execução impossibilitando a finalização da tarefa, uma notificação deverá ser disparada para o responsável, finalizando o processo por indisponibilidade no sistema.

Imagine que em nível de negócio todas estas situações devem ser previstas e representadas no fluxo do processo. Como representar estas situações? Qual seria a forma mais adequada de representá-las, levando em conta a lógica do processo e as regras da especificação BPMN 2.0?

Começaremos avaliando, neste artigo, apenas a Situação 1.

Antes de apresentar a solução, mostraremos uma confusão na hora de desenhar esta situação. Um erro bastante comum que presenciamos ao corrigir os exercícios dos alunos nos nossos cursos e por vezes também identificado em processos de melhoria, é a forma como é aplicado o controle de prazos nas tarefas, que geralmente é representado com um evento intermediário diretamente no fluxo do processo, posicionado logo após a tarefa que deveria ser controlada (já vimos casos que o prazo também havia sido posicionado antes da tarefa).

Aqui começa a primeira confusão: o evento que controla o prazo deve ser representado como uma exceção à saída da tarefa. Veremos mais abaixo, nas regras de especificação da notação, que este tipo de situação deve ser representado por um evento anexado a borda da tarefa a ser controlada, e não diretamente no fluxo do processo. Neste caso o evento de tempo deve ser acionado somente se a tarefa não tiver sido executada dentro do prazo e nunca obrigar, como modelado no exemplo abaixo, que o fluxo aguarde sempre por um período de tempo, desta forma paralisando o fluxo. Outro erro, também demonstrado na imagem abaixo, está no gateway que testa a situação de crédito. Veja que foi incluída uma nova saída Em atraso que deverá ser acionada caso a tarefa seja executada após o prazo. Da forma como o fluxo acima foi modelado, a tarefa Consultar situação de crédito não possui, de fato, um controle de tempo. Ela deve ser necessariamente executada para que o fluxo prossiga. Após a conclusão da tarefa é apresentado um controle de tempo contido diretamente no fluxo do processo, que obriga ao processo uma parada no fluxo, por dois (2) dias.

Vejam que o processo acima é válido do ponto de vista da notação BPM. Porém ele não representa corretamente a situação do negócio proposto na situação 1, pois não deveria obrigar a parada do fluxo, e sim controlar o tempo da tarefa Consultar situação de crédito.

Solução proposta para Situação 1:

  1. A tarefa deverá possuir uma condição de tempo associada à sua execução.
  2. A tarefa, mesmo em atraso, poderá ser executada (não deverá ser cancelada).
  3. A tarefa, caindo em atraso, deverá executar um fluxo de exceção para disparo de uma notificação de atraso para o responsável.

Regras da especificação BPMN 2.0:

  • Segundo a especificação oficial da notação BPMN 2.0, quando uma atividade possui prazo para execução, deve ser representado através do elemento Evento Intermediário do tipo Tempo (Timer), conectado à borda da atividade.
  • No momento que a atividade for iniciada, o evento será monitorado e controlado seu tempo.
  • Se o evento for disparado, o fluxo mapeado a partir do evento é executado.
  • A interrupção da tarefa é representada através do desenho da borda do evento. Neste caso, deve conter a borda tracejada, que demonstra que a tarefa, mesmo em atraso, poderá ser executada. A borda contínua representa que, ao ser disparado o evento de tempo, a tarefa seria cancelada.

Levando em conta a lógica desejada para o processo e as regras da especificação BPMN, apresentamos abaixo a solução mais adequada para a situação 1:  O controle do prazo para execução da tarefa está representado corretamente pela exceção – neste caso o evento intermediário de tempo anexado a borda da tarefa. Como já dito, assim que a tarefa é iniciada, o evento passa a controlar seu tempo e caso a tarefa não seja executada e finalizada em até dois (2) dias, o evento de tempo é disparado e o fluxo segue para o próximo ponto onde dispara uma notificação de atraso ao responsável.

Continuaremos em um próximo artigo o assunto, falando a respeito da segunda e terceira situações, bem como as confusões mais comuns na hora de desenhá-las. Fique ligado!

 

 

Mais um editor BPMN free: Modelador do Bonita BPM

Em nosso artigo sobre 7 Ferramentas Gratuitas para Criar Diagramas de Processos com BPMN deixamos de fora o modelador do Bonita BPM por se tratar de uma ferramenta integrada ao BPMS da Bonitasoft. Porém, devido ao grande número de sugestões para que incluíssemos esse modelador em nossa análise, decidimos exibir aqui uma breve apresentação.

Em primeiro lugar, como já foi dito, a suite Bonita BPM Community deve ser instalada completamente para que se possa testar o modelador. Após a instalação padrão (que não permite nenhuma personalização além do diretório de instalação) você abre a aplicação e é exibida a tela de boas-vindas do BPMS. Ao clicar no item de menu <New Diagram>, o modelador de processos do Bonita BPM é exibido.

Bonita BPM Process Modeler

Modelador de processos do Bonita BPM

Como as demais ferramentas de modelagem, o modelador do Bonita BPM é composto por um barra de menu (contendo itens padrão), uma paleta de elementos BPMN, a área de modelagem e um conjunto de guias para documentação e configuração dos elementos dos modelos de processos.

A paleta de elementos, que foi um dos focos da nossa investigação, não contém todos os elementos da notação. Sentimos falta, por exemplo, das atarefas manuais (manual task) e tarefas de regra de negócios (business rule task), assim como os subprocessos embutidos/incorporados (embbeded): se você quiser fazer hierarquização de processos, abstraindo conjuntos de atividades relacionadas, terá de usar subprocessos reusáveis, que na ferramenta são identificadas como Call Activities.

Muitos outros elementos não estão presentes, mas pensando em automação de processos não fazem tanta falta – considere nosso artigo Um BPMN para cada propósito de modelagem de processos onde citamos o artigo de Muehlen e Recker intitulado “How Much Language is Enough?”.

Em resumo, na modelagem de processos para automação (que é a finalidade da ferramenta) o conjunto de elementos implementados pelo Bonitasoft parece ser suficiente, mas se você deseja usar o modelador para fazer modelos de negócio com todo o poder de expressão da BPMN 2.0, vai sentir falta de muitos elementos.

Quanto à usabilidade do software, nossa avaliação é de que o modelador de processos do Bonita BPM é eficaz, pois apesar da limitação dos elementos indisponíveis da notação a ferramenta permite modelar os processos com resultado similar às demais ferramentas já avaliadas. Também se mostrou uma ferramenta eficiente, com fluidez na tarefa de modelagem dos processos, especialmente no que se refere aos atalhos para outros elementos (figura abaixo) e ao alinhamento automático e manual dos fluxos de sequência, o que confere uma boa produtividade ao software.

Imagem dos atalhos para outros elementos

Atalhos para outros elementos

Como resultado, a satisfação com o uso do modelador só não é maior pela falta dos componentes da BPMN e pela falta de atributos de documentação dos modelos presentes em outras ferramentas.

Nossa conclusão é que se você pretende testar ou adotar o Bonita BPM, não precisará de outro modelador de processos como acontece com outros BPMS do mercado (ciente da ausência de muitos elementos da notação). Se, por outro lado, você não vai utilizar o Bonita BPM como BPMS e ainda assim quiser utilizar seu modelador para documentar processos de negócio, terá algum trabalho extra para modelar situações que seriam mais simples com os elementos BPMN faltantes.

De qualquer modo, a instalação é rápida, intuitiva, a versão Community é muito completa e é uma ferramenta que vale a pena conhecer. Mesmo que seja por puro benchmark.

7 Ferramentas Gratuitas para Criar Diagramas de Processos com BPMN

Avaliamos 7 editores de diagramas de processos gratuitos para você criar e editar diagramas de processos com a notação BPMN. Confira nosso overview sobre o Bizagi Modeler, Aris Express, BPMN.io, Draw.io, Yaoqiang BPMN Editor, HEFLO! Documentação e Modelio!

1) Bizagi Modeler

A ferramenta mais conhecida pelos analistas de processos está no mercado como uma solução gratuita há uns bons anos.

O Bizagi Modeler é fácil de usar e usa cores nos elementos para facilitar a identificação.

A ferramenta possui uma tradução das funcionalidades e da maioria dos elementos para português (mas os nomes usados podem variar de uma versão para a outra, já que não existe uma tradução oficial da notação para o nosso idioma).

Dos diagramas de BPMN, permite criar apenas o Diagrama de Processo (Orquestração).

A ferramenta tem recursos que ajudam a evitar a utilização equivocada de alguns elementos, e possui um verificador que ajuda a validar a integridade do processo (regras básicas da notação BPMN).

Além de desenhar o fluxo do processo, é possível documentar os elementos criando novos campos para complementar o modelo com informações.

Os diagramas criados são gravados no formato próprio da ferramenta (extensão .bpm) mas podem ser exportados para formatos de imagem como PNG e BMP, além de gerar documentações no formato de manuais que podem ser exportados em PDF, DOC, para wiki e também um formato navegável HTML. É possível também exportar e importar arquivos nos formatos padrões BPMN e XPDL.

Um outro recurso interessante é a simulação de processos.

Para baixar, experimentar e descobrir mais sobre esta ferramenta:
https://www.bizagi.com/pt/produtos/bpm-suite/modeler

 

2) ARIS Express

O ARIS Express é uma versão light da conhecida plataforma de análise de processos, o ARIS Platform.

Criada originalmente como parte da plataforma que desenvolveu por muitos anos a notação EPC (Event-driven Process Chain), a solução precisou se adequar à nova realidade do mercado e incorporar ao seu conjunto de diagramas o BPMN. Assim, a versão express desta ferramenta permite criar diagramas com notações como Cadeia de Valor, organograma, modelo de dados, EPC e é claro, BPMN. Porém, diferentemente da plataforma, os arquivos são gravados no próprio computador do usuário.

Apesar do uso de cores para diferenciar os tipos de elementos, a ferramenta não possui grande apelo visual e é um pouco restritiva no manuseio. Além disso, a curva de aprendizagem para dominá-la a fim de criar bons diagramas pode ser um pouco maior do que o esperado (e em alguns momentos um pouco frustrante até se descobrir alguma forma mais simples de resolver uma dificuldade). Por outro lado, possui funcionalidades interessantes, como a criação de documentação complementar e exportação para formatos de documentos como PDF ou RTF.

Os arquivos de diagramas são salvos no formato proprietário da ferrramenta, o Aris Document Format (.adf).

A ferramenta está disponível em inglês (e alemão).

Para baixar*, experimentar e descobrir mais sobre esta ferramenta:
https://www.ariscommunity.com/aris-express
* para fazer o download, é preciso criar uma conta na Aris Community. 

 

3) BPMN.io

Extremamente leve, este editor de BPMN desenvolvido pela alemã Camunda permite criar diagramas de processo sem precisar instalar nenhum aplicativo.

O editor é totalmente web e funciona diretamente no browser do computador. É simples e muito fácil de sair criando diagramas e possui grande aderência à notação BPMN para diagrama de processo (orquestração).

Permite apenas criar diagramas gráficos, sem muita informação adicional. Não possui recursos complementares.

Os diagramas criados podem ser baixados para o seu computador no formato padrão .bpmn (que pode ser recarregado e editado posteriormente) e em formato de imagem PNG.

Para acessar, experimentar e descobrir mais sobre esta ferramenta:
https://bpmn.io

 

4) Draw.io

Originalmente criado como uma ferramenta online de criação de diagramas tipo flowchart, o Draw.io incorporou como uma das notações visuais para desenho a palheta de elementos de BPMN. Com isso, este editor vai na mesma linha do BPMN.io, um pouco mais rico nas funcionalidades visuais (é possível usar cores) mas com menos recursos específicos para a modelagem, como a ausência de validação. Como permite criar vários tipos de diagramas diferentes e misturar as palhetas, pode ser um pouco confuso para iniciantes discernir se estão criando um diagrama corretamente pois é possível usar em um mesmo diagrama os tipos de elementos visuais de notações diferentes.

Os diagramas são salvos em qualquer um dos principais serviços de armazenamento na nuvem, como Google Drive, Dropbox ou OneDrive (basta ter uma conta) ou então pode ser gravado no seu próprio computador (em formato XML, que pode ser recarregado e editado posteriormente). A principal vantagem de usar um serviço de armazenamento na nuvem é que outros usuários poderão acessar o mesmo diagrama e fazer contribuições.

A palheta de BPMN está espalhada em grupos como “General”, “BPMN General”, “BPMN Gateways”, “BPMN Events”. Além disso, a ferramenta possui muitos elementos “inventados” sobre a notação BPMN que não existem na especificação formal, o que pode tornar seu uso ainda mais confuso (até mesmo para analistas experientes).

Os diagramas criados nesta ferramenta são puramente desenhos vetoriais em tela, não há nenhum tipo de validação ou verificação se a modelagem está correta.

Para acessar, experimentar e descobrir mais sobre esta ferramenta:
https://draw.io

 

5) Yaoqiang BPMN Editor

Esta ferramenta de modelagem de processos desenvolvido pela Blenta Software é uma das mais completas e aderentes à notação e é open source (software livre). Além de modelagem de diagrama de Processo (Orquestração), também possui todos os elementos para a criação dos dois outros tipos de diagramas da notação: Conversação e Coreografia (o único editor gratuito que identificamos até agora que comporta os três tipos de diagramas nativamente).

Um ponto forte deste editor é que a ferramenta possui um compromisso estabelecido em seguir rigidamente as definições da especificação formal da OMG para a representação gráfica dos processos, o que garante um elevado nível de aderência dos elementos e validações de regras de utilização.

Embora não possua um apelo visual muito grande, em termos de funcionalidades para a criação de diagramas, é bastante completa. 

Os processos mapeados podem ser baixados para o seu computador no formato padrão .bpmn (que pode ser recarregado e editado posteriormente) e em formato de imagem PNG.

A ferramenta é em inglês (e possui outros idiomas como alemão, francês e chinês – sim, porque a empresa fabricante é chinesa!).

Os diagramas criados podem ser gravados no formato padrão .bpmn e em formatos variados de imagem, como PNG, BMP e JPG.

Para baixar, rodar e usar*:
https://sourceforge.net/projects/bpmn/
* pré-requisito: Java Runtime Environment.

 

6) HEFLO! Documentação

Com uma interface leve e agradável, o módulo de documentação BPMN da HEFLO é online e permite criar diagramas de processo sem precisar instalar nenhum aplicativo. Embora o produto esteja na versão beta, a empresa se comprometeu (através de seu site) que este módulo será  gratuito para sempre.

O editor é totalmente web, possui uma interface bastante fácil de usar e funciona diretamente no browser do computador. É muito fácil de sair criando diagramas e possui grande aderência à notação BPMN para diagrama de processo (orquestração). Um outro fator interessante é que os elementos da palheta estão todos identificados em português.

Durante a modelagem, as raias se auto-ajustam conforme os elementos são adicionados.

Além da criação do diagrama, é possível gerar documentações ricas de cada elemento através de um editor de texto bastante rico, com formatação de texto, criação de tabelas, entre outros.

Os diagramas criados são gravados em nuvem própria do produto. Além disso, é possível exportá-lo para o formato padrão .bpmn, imagem PNG ou de documentação, como PDF, DOC e HTML (estático).

A ferramenta é toda em português!

Para acessar, experimentar e descobrir mais sobre esta ferramenta:
https://app.heflo.com/

 

5) Modelio

Esta ferramenta de modelagem de processos é outro software do tipo open source, cujo objetivo original é a modelagem de diagramas UML, mas que foi estendida para criar diagramas de processos em BPMN.

Quem utiliza tem a sensação de estar trabalhando em uma ferramenta de desenvolvedor – e é verdade, pois ela é baseada no Eclipse, famosa interface para desenvolvimento de software.

Os facilitadores de modelagem encontrados em outras ferramentas não ocorrem neste editor.

Para começar a modelar é preciso criar um “Projeto” e então dentro dele criar um diagrama BPMN. Os elementos, inclusive conectores, precisam ser adicionados um a um no diagrama. A definição dos tipos de tarefas e eventos também não é muito simples – é preciso acessar a janela de propriedades do elemento no diagrama para então escolher entre os tipos. No final das contas, criar um diagrama BPMN nessa ferramenta pode ser trabalhoso e pouco produtivo comparado às outras.

Apesar disso, em termos de notação BPMN a ferramenta é bastante aderente, pois contém praticamente todos os elementos e usando a funcionalidade de Audit pode-se fazer validação das regras da notação conforme a especificação da OMG.

Os diagramas não são salvos avulsos, eles ficam dentro do arquivo de projeto. É possível exportar para formato de imagem como PNG ou JPG.

A interface é somente em inglês.

Para baixar, rodar e descobrir mais sobre esta ferramenta:
https://www.modelio.org/

 


… e mais um dois!
(atualizado em 12/09/16 15:36; reatualizado em 06/07/17 14:51)

8 ) Sydle

Esta ferramenta brasileira é mais do que apenas um editor de diagramas em BPMN – é uma suíte para gerenciamento de processos. Por este motivo, a solução possui muitas outras funcionalidades que vão além da modelagem do processo. Como estamos tratando neste artigo especificamente de ferramentas de criação de diagramas BPMN, vamos nos ater às funcionalidades relacionadas a este tipo de solução.

O modelador é web, portanto não é necessário baixar ou instalar nenhum programa. Para criar modelos no Sydle é preciso criar uma conta, mas pode ser na versão gratuita (Community) da ferramenta. A utilização de outras funcionalidades além da modelagem pode exigir a escolha por uma licença paga (veja no site do produto os diferentes recursos).

Como o foco principal da ferramenta é a modelagem de processos para serem automatizados através do próprio produto, estão disponíveis para a modelagem apenas os elementos de BPMN implementados na automação. Mesmo assim, atende a quase toda a especificação na subclasse descritiva (à exceção dos elementos de pool e fluxo de mensagem e os acessórios data object e data store).

Para a documentação, a ferramenta disponibiliza um mini-editor de texto.

O salvamento dos diagramas é realizado no servidor da Sydle, e é possível extrair uma versão impressa de documentação tipo manual de processo, com a imagem do diagrama e o detalhamento da documentação com recursos ricos de formatação de texto, inclusive uso de tabelas.

Como outras ferramentas, possui o recurso de menu de contexto, que permite ir criando o fluxo a partir do conector no elemento anterior.

A ferramenta faz auto-salvamento a cada elemento adicionado no processo.

Não há funcionalidade específica para fazer a validação do modelo no editor, mas algumas regras básicas são verificadas automaticamente (por exemplo, não permite conectar o evento final a outro elemento de fluxo).

Não há recursos padrão de exportação.

Esta solução é brasileira e a interface é totalmente em português.

Para criar uma conta e experimentar esta ferramenta:
https://www.sydle.com/br/bpm/

9 ) Bonita BPM

A pedidos de muitos dos nossos leitores (valeu pelas sugestões!) estamos incluindo na lista o Bonita BPM, cuja ferramenta permite criar fluxos de processos na notação BPMN e é gratuita.

Como o Bonita BPM tem algumas particularidades adicionais, criamos um artigo novo só para ele:
Mais um editor BPMN free: Modelador do Bonita BPM. Confere lá!


Fatos interessantes:

  • Os editores BPMN.io, Heflo Yaoqiang gravam os arquivos com os diagramas de processos no formato padrão da notação (.bpmn). Este arquivo é um XML padronizado. Como resultado, é possível abrir arquivos criados em uma ferramenta na outra. Em alguns casos, conseguimos fazer isto com pouca perda de informação, mas alguns aspectos, principalmente relacionados a conectores, apresentaram alguns problemas.Uma outra restrição é que arquivos do Yaoqiang com mais de uma aba de diagrama abrirá apenas o primeiro deles no BPMN.io ou no Heflo, que não trabalham com multi-diagramas.


 


Conhece algum outro editor que deveria estar nesta lista? Manda a dica para nós!

Mas atenção, tem que ser: