Convite para webinar: Automação de Processos pela Área de Negócio: Oportunidades e Desafios

Sobre este webinar:

A necessidade de se reinventar exige das organizações melhorias constantes em seus processos em prazos cada vez menores. Nesse contexto, a recorrente de falta de recursos da TI e a complexidade cada vez maior dos sistemas de informações levam as organizações a buscar alternativas simples e leves de desenvolvimento que possam ser conduzidas pela própria área de negócio.

A automação de processos através de BPMS oferece esta alternativa, mas será que esta promessa realmente pode ser cumprida? Até onde uma área de negócio consegue conduzir com um projeto de automação e em que momento ela volta a necessitar da TI? Que funcionalidades uma ferramenta de automação deve oferecer para atender a estes requisitos? Quais as características ideais de um processo a ser automatizado pela área de negócio?

Participe deste webinar, apresentado ao vivo em colaboração da iProcess e Lecom BPM, e conheça a resposta a estas e outras perguntas relevantes a quem deseja buscar soluções de automação com pouca dependência da TI.

Como funciona?

É simples: inscreva-se no webinar através do link do evento e você receberá um e-mail de confirmação:
Finalizado! Em breve publicaremos o vídeo e a apresentação do evento.

Na data e horário do evento, acesse o link indicado no e-mail usando um computador com fones e aguarde a seção começar.
Durante a apresentação, você poderá interagir com o instrutor enviando perguntas via chat, que serão respondidas ao final do seminário.

Webinares anteriores:

Confira as postagens do blog com os vídeos de nossos webinares anteriores!

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Na hora de escolher a plataforma de BPM…

"Mas o que é mesmo que nós precisamos?"

O fato da iProcess ser uma consultoria com longa história, construída no estudo e implementação de soluções para processos através de tecnologias como workflow e BPMS, nos coloca em uma posição bastante interessante em relação ao mercado: entendemos como as soluções de automação funcionam, como é a sua arquitetura, o que as faz iguais e diferentes.

Isso possibilita dizermos então que nossa ferramenta favorita é, na verdade, a solução que mais se encaixa nas necessidades organizacionais, financeiras, culturais e tecnológicas dos nossos clientes.

É por isso que, quando as pessoas nos comentam que estão testando as soluções X, Y e Z e nos perguntam qual indicaríamos, ou qual é o melhor, a nossa resposta é “depende”. Depende porque, em nossos anos de experiência automatizando processos, chegamos à seguinte conclusão: não é uma questão de qual software é melhor comparado a outro software, mas qual é o software que melhor se encaixa às reais necessidades da organização.

Descobrir a solução que apresenta a melhor relação de custo e benefício em BPM requer uma análise que vai além de verificar funcionalidades que uma tenha e a outra não. Ela passa por questões como:

      • “Qual o tamanho da organização em termos de usuários e sistemas que integram os processos de negócio, e qual a perspectiva de crescimento para os próximos anos?”
      • “Como a companhia está estruturada – ela existe em um local centralizado ou se espalha por diferentes locais e regiões? Qual o impacto disso nos usuários dos processos automatizados? Precisamos de um software que suporte multi-línguas e multi-moedas?”
      • “A infraestrutura de TI da organização já tem um direcionador de plataforma tecnológica que pode impactar nesta decisão?”
      • “O que mais a organização precisa deste software além da simples automação dos passos a serem executados no processo automatizado? Monitoramento e ação em tempo real? Arquitetura dos processos de negócio? Ferramentas e metodologias de análise de processos? Posso ter isto em apenas um software ou precisarei de múltiplas ferramentas para cobrir meu ciclo de melhoria contínua de processos?”
      • “Que tipo de processos planejamos automatizar? Quantos? Com que frequência eles são executados, e o software está preparado para gerenciar a quantidade de instâncias?”
      • “O processo que modelamos é o processo que será executado, ou precisa ser transformado em outras linguagens antes de rodar, como do EPC para BPMN, ou do BPMN para BPEL, ou ainda de uma notação gráfica para algo que só o BPMS entende? Consideramos isto aceitável?“
      • “Que outras soluções de software precisarão ser integradas: ERP, BRM, BAM, ECM, etc?”
      • “Que tipo de suporte o fornecedor da solução está preparado para oferecer enquanto desenvolvemos a automatização do processo e após a implantação?”
      • “Onde encontramos profissionais que conheçam o software com a profundidade suficiente para implementar as complexidades naturais dos processos, que vão além do simples workflow de sequência de atividades?”
      • “O quão sólida é a empresa por trás do software – quais os riscos do mesmo ser adquirido por outra empresa gerando mudanças e mais mudanças na plataforma?”

Você percebe que dependendo da organização, o peso e a resposta a essas perguntas podem gerar avaliações bem diferentes?

São tantas questões que precisam ser consideradas neste processo de escolha – e que vão além da simples comparação de funcionalidades, que já consolidamos uma planilha de avaliação com centenas de critérios a avaliar (e que inclusive faz parte do nosso treinamento e pacote de consultoria em Seleção de Plataformas de BPM).

É claro que boas opiniões de quem já usa a ferramenta são essencialmente importantes. É parte do processo de escolha de uma plataforma, mas pode não ser a resposta para a organização.

Há tanto software de BPM sendo oferecido no mercado, que recomendamos sempre que antes de escolher uma ou outra solução para “testar”, por sorte ou porque alguém disse que era boa, considere as reais necessidades da organização – e então escolha aquelas sobre as quais realmente vale a pena investir tempo na avaliação.

Nossa equipe já atuou em projetos utilizando diferentes soluções de BPM. Todas elas são muito boas. É apenas uma questão de entender quais as verdadeiras necessidades da empresa.

Veja mais artigos sobre o tema da escolha de plataforma de BPM publicados aqui mesmo no blog da iProcess:

 


Entendendo o Quadrante Mágico do Gartner para iBPMS

Todos os anos o Gartner, empresa americana de pesquisa e assessoria em tecnologia da  informação, analisa o mercado de tecnologia para mais de 60 tipos de diferentes de software – entre eles as plataformas tecnológicas para BPM. Os relatórios anuais buscam oferecer uma análise qualitativa do mercado, suas tendências, maturidade e participantes, gerando insumo importante para avaliar as soluções oferecidas, e tem sido uma importante ferramenta para apoiar a avaliação e escolha de tecnologia de suporte às iniciativas da gestão por processos.

O relatório Gartner para o mercado de BPMS/iBPMS

Até 2011, o Gartner avaliava todas as soluções para controle automatizado de processos como “BPMS” (Business Process Management Suites). Em 2012, a organização vislumbrou uma tendência de negócio que implicou em uma nova oportunidade de utilização para estas ferramentas. No relatório “The Trend Toward Intelligent Business Operations”, a instituição relata que gestores têm sido requisitados a tomar decisões mais rápidas e assertivas “fazendo menos com mais” em um contexto de negócio dinâmico e em constante mudança. Assim, para superar o desafio criado pela necessidade de melhorar a visão organizacional sobre suas operações e ambiente de negócios, as organizações tem buscado desenvolver a capacidade de tornar suas operações de negócios mais inteligentes, integrando análise aos seus processos e às aplicações que os sustentam.

Assim, o Gartner identificou a operação inteligente de negócios (ou IBO, Intelligent Business Operations) como um novo cenário de uso para as suítes de BPM. Mas para atender estas necessidades, estes produtos precisam evoluir a uma nova geração de software, que a organização chamou de iBPMS (Intelligent Business Process Management Suite).

De acordo com o Gartner, um iBPMS deve conter todas as 10 capacidades chave a seguir:

  • Um motor de orquestração da execução do processo para guiar o progresso do trabalho estruturado ou não estruturado.
  • Um ambiente de composição baseado em um modelo para o desenho do processo, suas atividades e artefatos
  • Gerenciamento da interação com o conteúdo para suportar o progresso do trabalho baseado em mudanças no próprio conteúdo do processo (como documentos, imagens e áudio)
  • Gerenciamento da interação humana para possibilitar que as pessoas possam interagir naturalmente com os processos em que estão envolvidas
  • Conectividade entre processos e recursos que controlam, como pessoas, sistemas, dados, ocorrência de eventos, objetivos e indicadores de desempenho (KPIs)
  • Análise ativa (em alguns casos denominado continuous intelligence, ou ”inteligência contínua”) para monitorar o progresso das atividades, analisar atividades e mudanças no processo e o que mais estiver envolvido
  • Análise sob demanda para possibilitar suporte à decisão ou decisões automáticas baseadas em análise preditiva ou otimização tecnológica
  • Gestão de regras de negócio pra guiar e implementar agilidade ao processo e garantir aderência ao negócio
  • Gestão e administração para monitorar e ajustar aspectos técnicos do iBPMS
  • Um registro/repositório para busca e reuso de componentes de processos.

Com esta revisão, o número de soluções avaliadas mudou sensivelmente de 27 em 2011 para 13 fornecedores em 2012. Em 2014, o relatório aponta 14 soluções avaliadas.

Em geral, os relatórios do Gartner Group são comercializados e requerem permissão para serem distribuídos.
O relatório do Quadrante Mágico para iBPMS de 2014 foi publicado pela instituição em março e pode ser obtido neste endereço: https://www.gartner.com/doc/2684315.

O Quadrante Mágico para iBPMS

Um dos principais componentes do relatório do Gartner é o Quadrante Mágico (ou MQ, de Magic Quadrant), que mostra as posições relativas dos concorrentes do mercado avaliado.

O Quadrante Mágico é um gráfico formado pelo cruzamento dos eixos horizontal e vertical, que formam quatro áreas. O eixo vertical representa a capacidade do produto de executar aquilo a que se propõe (hability to execute), enquanto o eixo horizonal representa o quão completa é a visão aplicada ao produto da empresa em relação a tecnologia (completeness of vision).

Para identificar a capacidade de executar de um produto, são avaliados critérios como:  a composição do produto ou serviço, a viabilidade da solução a longo prazo, o formato de vendas e precificação, capacidade de resposta ao mercado e concorrentes, execução mercadológica, experiência dos usuários e operações.

A completude de visão (completeness of vision) é medida através dos critérios de entendimento do mercado, modelo de negócio, estratégias de marketing, de vendas, de oferta do produto, de atendimento a segmentos de mercado, de distribuição geográfica e capacidade de inovação.

As áreas formadas pelo cruzamento desses eixos classificam as soluções em:

  • Challengers (desafiadores): Soluções com boa capacidade de execução mas que não agregam tanto em inovação;
  • Leaders (líderes):Soluções que possuem maior grau de inovação e entregam o que prometem.
  • Niche Players (fornecedores de nicho de mercado): possuem produtos em geral focados em um nicho específico, apresentando baixo nível de inovação e de entrega.
  • Visionaries (visionários): soluções que possuem alto nível de inovação mas menor capacidade de entregar o que se propõem.

Através do gráfico fica mais fácil realizar uma análise comparativa das soluções, uma vez que quanto mais para cima e para a direita, melhor está posicionada no quadrante. Além do quadrante, porém há outras informações importantes nestes relatórios que precisam ser levadas em conta:

Observe o progresso da solução através dos relatórios.
Os relatórios são emitidos anualmente, e possibilitam assim identificar as soluções melhor posicionadas, mas também, comparando-se os quadrantes dos relatórios anteriores, identificar o quanto o fabricante está investindo em estabilizar ou melhorar sua solução.

Entenda o que levou ao posicionamento de cada solução no quadrante.
Além do gráfico, cada solução é descrita pelo Gartner apontando seus pontos fortes e pontos de atenção, que podem fazer a diferença em relação às expectativas do cliente.

Considere a presença da empresa no Brasil.
Os relatórios do Gartner analisam soluções com perfil global, o que muitas vezes não se reflete no mercado brasileiro. Muitas das empresas avaliadas pelo Gartner têm pouca (ou nenhuma) base instalada no Brasil, o que pode implicar em dificuldades para se obter suporte e atenção do fornecedor durante a execução dos projetos – sobretudo quando começam a surgir as complexidades dos processos.

Existem boas soluções além do MQ.
Muitos outros BPMS e iBPMS existem além dos que são mostrados no Quadrante Mágico, em geral porque são fornecedores de menor porte, ou porque são novos no mercado e possuem uma base de clientes em produção reduzida, ou porque não atingiram todos os critérios da nova classificação. No Brasil sabemos que há soluções muito boas de BPM que não foram avaliadas pelo Gartner. Entenda os critérios de corte relatados pelo Gartner e considere se podem ser aplicados à sua situação.

Fazendo uma boa escolha de aquisição de BPMS/iBPMS

O relatório do quadrante mágico do Gartner é uma ferramenta muito interessante de análise comparativa de soluções oferecidas no mercado, mas uma aquisição segura não deve se restringir a esta avaliação.
Confira estes artigos para entender mais sobre os pontos de atenção a serem considerados na hora de escolher que solução adquirir para a organização.

Está avaliando uma plataforma de BPM para sua organização? Conte com a experiência da iProcess!
Saiba como podemos ajudá-los através de:
- Workshop de Seleção de Plataforma de BPM
- Consultoria de apoio à Seleção de Plataforma de BPM.

Medidas, Métricas e Indicadores na Gestão de Processos

Em muitos projetos de implantação de BPM que têm como foco principal a automatização de processos é comum que as organizações deixem de prestar a atenção devida a um aspecto essencial: o gerenciamento do desempenho de processos.

Nos eventos sobre BPM dos quais participamos, sempre que se perguntou quais dos participantes eram oriundos da área de TI, vimos muitas mãos serem levantadas. A maioria, na verdade. De fato, é sabido que em muitas organizações a adoção de BPM é consequência de iniciativas da área de tecnologia, seja em iniciativas próprias da TI (para fazer benchmarking, por exemplo), seja pela percepção incompleta de que BPM se trata de um conjunto de tecnologias que apoiam a TI no desenvolvimento e monitoração de processos de workflow e aplicativos.

Não perca o alvo

Talvez por isso a preocupação principal nesses projetos seja a correta implementação de BPMS, BRMS, SOA e todo o dicionário de siglas tecnológicas envolvidas, relegando os aspectos relacionados ao negócio (e o gerenciamento de desempenho, consequentemente) a um plano secundário.

Mas não percamos o alvo, o motivo de ser do BPM é a letra “M”.

Um importante ponto para realizar o gerenciamento do desempenho de processos é a definição de bons indicadores de desempenho. Esses indicadores devem ser capazes de permitir o monitoramento do negócio pelos gestores e servirem de gatilhos para a tomada de ação quando o processo apresentar uma performance diferente da esperada.

MEDIDAS x MÉTRICAS x INDICADORES

Antes de tudo, é necessário desfazer uma confusão comum na utilização dos termos “medida”, “métrica” e “indicador”, que muitas vezes são equivocadamente tomados como sinônimos.

Medida

Segundo o BPM CBOK – versão 3.0,

“Medida é a quantificação de dados em um padrão e qualidade aceitáveis (exatidão, completude, consistência, temporalidade).”

Medida é a avaliação de uma grandeza por meio da comparação com outra grandeza da mesma espécie tomada como unidade. Quando se mede o comprimento de um material ou peça, por exemplo, pode-se utilizar o metro como unidade, isto é, o objeto medido é representado como uma fração (ou múltiplo) do metro.

Medida representa um dado.

Métrica

A definição do BPM CBOK, diz que:

“Métrica é uma extrapolação de medidas, isto é, uma conclusão com base em dados finitos.”

Segundo essa definição, uma métrica pode ser entendida como a relação entre duas medidas de grandezas iguais ou diferentes.  Um exemplo seria o número de defeitos identificados em um lote de produtos finalizados (defeitos [número] / total do lote [número]).

Outro exemplo poderia ser a razão entre o número total de atendimentos realizados por um Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) e o número de horas trabalhadas pelos atendentes (atendimento [número]/ horas trabalhadas [tempo]).

Métrica representa uma informação.

Indicador

De acordo com o BPM CBOK,

“Indicador é uma representação de forma simples ou intuitiva de uma métrica ou medida para facilitar sua interpretação quando comparada a uma referência ou alvo.”

Indicadores representam informações a partir das quais é possível avaliar uma situação e sua evolução histórica. Contudo, indicadores mal definidos podem levar a conclusões equivocadas. Por exemplo, tomar somente a quantidade de reclamações de clientes, mês a mês, ao longo do ano, e verificar que o número absoluto de reclamações cresceu no período não indica, necessariamente, uma piora nos negócios. Está claro que se a sua empresa efetuar 1.000 vendas em dezembro e ter 10 reclamações de clientes é uma situação melhor que ter efetuado 100 vendas em janeiro e ter recebido 5 reclamações. Proporcionalmente, o número de reclamações terá caído de 5% (5/100) para 1% (10/1.000), embora em números absolutos elas tenham dobrado.

É claro que números absolutos podem ser bons indicadores, a depender do que se queira avaliar. Mas indicadores que relacionam diferentes métricas e medidas permitem relativizar a realidade e fazer melhores comparações, como no exemplo acima, pois embora o número de reclamações tenha crescido em termos absolutos, a situação, na verdade, melhorou.

Dois gráficos com interpretações comparadas

Duas interpretações de uma mesma realidade

 

INDICADORES DIRECIONADORES x INDICADORES DE RESULTADOS

Ao definir indicadores com o objetivo de monitorar o desempenho dos processos, muitas organizações definem seus painéis de monitoramento com base em métricas que focam apenas no resultado desejado e perdem, assim, a valiosa oportunidade de monitorar não apenas o resultado do processo, mas a sua execução. Dessa forma, o resultado é conhecido apenas quando não há mais nada a se fazer para que a conclusão do processo seja favorável à organização.

Para evitar essa situação, é necessário definir dois tipos de indicadores:

  • Indicadores direcionadores (drivers), que monitoram a causa antes do efeito e caracterizam-se pela possibilidade de alterar o curso para o alcance de um resultado.
  • Indicadores de resultados (outcome), que monitoram o efeito e não permitem mais alterar um dado resultado.

Um bom painel de monitoramento deve conter indicadores direcionadores e indicadores de resultados de forma balanceada. Note no exemplo abaixo a combinação de gráficos do tipo Gauge, que são normalmente utilizados para acompanhar um indicador direcionador, através de monitoramento instantâneo, e de análise histórica, como os gráficos de área.

Painel de indicadores

Painel de indicadores balanceados

Pense em uma companhia de seguros que estabelece uma meta mensal de 40 apólices de seguro por agente. Assim, cria um indicador de resultados para demonstrar as vendas por mês.

A empresa observou o histórico do processo e identificou que, para cada quatro contatos realizados por um agente com clientes potenciais, um negócio é fechado. Logo, conclui que o resultado das vendas de apólices está relacionado ao número de contatos realizados pelos agentes. Portanto, define outra meta: 160 contatos por mês, por agente. Esse é um indicador direcionador, pois permite uma melhor administração dos esforços para o alcance das metas através de ações de correção de curso, como campanhas de final de semana, plantões de vendas e outras medidas contingenciais.

Esperamos que tenha ficado clara a diferença entre medida, métrica e indicador, e o benefício de utilizar não apenas indicadores de resultado mas também indicadores direcionadores de forma balanceada.

Tem um exemplo prático que gostaria de compartilhar? Comente este artigo e contribua para a discussão e o conhecimento dos demais leitores.

Métodos para levantamento de informações na Modelagem e Análise de Processos

Em projetos envolvendo modelagem e análise de processos de negócio é imprescindível que a equipe tenha a compreensão correta dos processos ponta-a-ponta da organização para uma visão precisa do negócio. Esta compreensão pode ser obtida com uma coleta de informações realizada ao longo do esforço de forma consistente, caso contrário alguma informação importante poderia faltar, e seria difícil fornecer uma visão clara do negócio.

Existem diversos métodos especializados para levantamento destas informações. Falaremos sobre isto em uma série de artigos, trazendo as diversas formas de captura de informações para a realização do trabalho de modelagem.

Neste artigo, iniciaremos falando dos métodos Pesquisa, Entrevista e Observação Direta.

PESQUISA

A pesquisa serve para obter o contexto inicial do processo, serve também para complementar o entendimento do negócio e para preencher algumas lacunas na documentação do processo que não foram obtidas por outros métodos.

Pode ser pesquisado todo o tipo de documento, desde formulários, manuais dos sistemas da empresa, políticas da organização, registros de auditorias, documentação de processos, descrições escritas das partes interessadas e autores do processo, etc.

Esforço: O empecilho fica por conta do tempo requerido para realizar estes levantamentos, que muitas vezes não é suficiente para conciliar diferenças de opinião e informações levantadas versus o trabalho realizado na prática.

ENTREVISTA

Entrevista é um “processo de comunicação fundamental entre pessoas que se caracteriza pela realização direta, face a face, que se estabelece entre o profissional e o usuário” (Ballestero-Alvarez, 1997).

A entrevista é um método muito utilizado para a coleta de informações. Ela pode ser realizada de forma individual ou em grupo, conduzida por um facilitador. Pode ser presencial, por telefone, conferência web ou e-mail.

Participantes: Devem ser entrevistados os integrantes do processo, que contribuem com informações sobre as atividades que executam, assim como seus líderes. Podem também ser pessoas responsáveis pelo desenho, execução e desempenho do processo, não esquecendo daqueles que fornecem entradas ou recebem saídas do processo.

Ponto de atenção: A realização da Entrevista (em grupo) é muitas vezes confundida com outro método, o Workshop.
A diferença básica destes dois métodos é que no caso da entrevista em grupo os participantes limitam-se em falar das suas atividades (seu papel no processo), é algo mais pontual. Por exemplo: Entrevistar três operadores de empilhadeira de um CD (Centro de Distribuição). Ambos operadores realizam atividades referentes a movimentação de porta pallets da área de armazenagem para a área de separação.

Já o Workshop  consiste em reunir diferentes pontos de vista sobre o processo com representantes de todos os papéis envolvidos para discutir o processo. Falaremos mais sobre este método em nosso próximo artigo sobre o assunto.

Vale ressaltar que nada impede que outros métodos sejam aplicados juntamente com a entrevista, servindo assim como complemento para coleta de informações não obtidas com esta técnica.

Perfil do entrevistado: A avaliação do perfil do entrevistado é crucial para uma coleta consistente, portanto antes da escolha do entrevistado, verifique seu nível de atuação dentro da empresa e se o seu papel condiz com o nível de informação exigida.
Por exemplo: Analista marca uma entrevista com o Gestor do Centro de Distribuição para mapear atividades operacionais do setor de coleta de encabidados da sua unidade. Neste caso, o que poderia dar errado? Possivelmente o gestor simplificará as atividades operacionais, e com isto detalhes das atividades poderão ser perdidos, pois só quem executa é que conhece as atividades e muitos problemas que hoje acontecem não serão relatados.
Desta forma, concluímos que a escolha pelo gestor não seria a mais apropriada, pois a definição e manutenção de procedimentos de nível operacional fica em posse do auxiliar de operação, além é claro daqueles detalhes práticos, tarefas e passos executados no dia-a-dia que não são documentados e não passam pelo conhecimento do gestor.

Esforço: A entrevista pode exigir um grande esforço do analista para obter o grau de detalhamento satisfatório, isso deve-se a forte dependência das informações fornecidas pelos entrevistados. Esta dinâmica pode ser ineficiente caso o entrevistado não compartilhe, por algum motivo, as informações de como suas atividades são executadas de verdade. Os motivos são diversos, desde medo do fracasso e reprovação, até o medo da mudança (do novo) ou ter que começar a  fazer diferente de como é realizado hoje (este é um medo cultural). Além disto, a entrevista exige que os entrevistados parem as suas atividades, o que pode trazer dificuldades de agenda.

OBSERVAÇÃO DIRETA

Segundo Lakatos & Marconi (1992), a observação direta intensiva é um tipo de atividade que “[...] utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Não consiste apenas em ver e ouvir, mas também examinar fatos ou fenômenos que se deseja estudar”.

Observação direta é um método que pode ser definido como um acompanhamento presencial do processo a ser modelado que sujeita o pesquisador a um contato mais direto com a realidade.

Este método auxilia na identificação de evidências revelando comportamentos, atividades e tarefas difíceis de serem lembradas por outras técnicas. Muito eficiente no diagnóstico de oscilações e desvios que ocorrem no dia-a-dia do trabalho.

Participantes: A escolha correta do executor do processo deve representar o nível de desempenho típico para executores daquele processo. Este executor deve entender o impacto de suas tarefas no resultado final do processo ponta-a-ponta, ter uma compreensão (uma visão) do todo e ter critérios para entender se o desempenho de suas atividades são satisfatórias.

Esforço: Para que o observador possa capturar informações consistentes com um grau de detalhamento satisfatório, deve ser levado em conta uma variedade grande de execuções de processos, observação de diversos grupos de executores e locais. Este esforço exige tempo e esforço, o que pode não ser possível em determinados projetos.

Riscos: A presença do observador pode provocar alterações na forma como os atores executam suas atividades, acabando com a naturalidade dos mesmos. Com isto, os atores ao serem observados realizam suas atividades da forma como aprenderam e não como realmente realizam no seu dia-a-dia. Este cenário pode gerar uma visão distorcida, criando falsas impressões da realidade e impactando de forma direta no resultado do processo.

Alguns cuidados podem ser tomados para que este tipo de problema não venha ocorrer, como dar as condições e tempo necessário para que o executor do processo se sinta confortável. Outra solução é realizar um comparativo dos resultados obtidos na observação com resultados anteriores registrados, garantindo assim que o trabalho realizado pelo observador represente a rotina diária do ator do processo.

Em nosso próximo artigo sobre o assunto continuaremos falando dos métodos especializados para levantamento e coleta de informações.
Confira: Métodos para levantamento de informações na Modelagem e Análise de Processos – Parte 2.

 


Conheça mais sobre estas e outras atividades relacionadas à modelagem de processos no curso de Modelagem de Processos de Negócio da iProcess Education.

 

Gerenciando a execução de processos com (ou sem) um BPMS

A tecnologia é sem dúvida um dos aspectos que podem gerar melhor contribuição para agilidade e qualidade na execução dos processos de negócio.

Através de projetos para automatizar processos com um BPMS, fica mais fácil definir claramente um evento para iniciar o processo, possibilita que as informações fornecidas nas atividades de processo possam ser acessadas pelos próximos participantes, todas as etapas ficam registradas para acompanhamento e auditoria e a coleta de dados para alimentar indicadores de desempenho pode ser automática. Também unifica a forma como os processos são executados e controlados, já que a plataforma de um BPMS é feita justamente para possibilitar o gerenciamento de múltiplos processos da organização. Esses e outros benefícios de usar um BPMS para automatizar processos já foram discutidos aqui no blog em artigos como Benefícios da Automação de Processos e Automatização de Atividades.

Entretanto, automatizar em um BPMS não é para todo e qualquer processo. No artigo Automatizar o processo (ou não)? Eis a questão!, chegamos a discutir algumas características de processos que não são bons candidatos a serem automatizados, baseado em um caso real.

Existem outras formas de se controlar processos com suporte tecnológico, mesmo sem um BPMS:

  • Sistemas tradicionais: pode-se desenvolver um sistema tradicional, baseado em um determinado processo, que garanta que a sequência de atividades seja realizada como prevista. Em geral não apresenta muitos benefícios em relação à automatização com um BPMS, já que terá que desenvolver, além das telas de interação com os usuários, controles de estados (para garantir a sequência de atividades), armazenar dados específicos daquele tipo de processo de negócio, coletar indicadores, controlar autenticação de usuários vs. seu papel no processo (para que uma pessoa não faça o trabalho da outra) e disponibilizar recursos para acompanhar o processo e seu histórico – tudo funcionalidades que já são nativas do BPMS.
  • Ferramenta de gestão de projetos: Alguns processos tendem a ser melhor gerenciados como projetos. Neste caso, a sequência de atividades, suas dependências e os papéis responsáveis são transformados em uma EAP (Estrutura Analítica de Projeto) e cada nova instância do processo se transformaria em um projeto gerenciada e executada em uma ferramenta de gestão de cronogramas. Com isso é possível gerenciar os recursos e prazos e monitorar o andamento da execução do processo. (A iProcess faz isso, por exemplo, com o processo de desenvolvimento de software: temos nosso processo de desenvolvimento formalmente modelado em BPMN, mas a cada nova “instância” o GP gera uma EAP baseada no processo e passa a executá-lo em nossa ferramenta de gerenciamento de projetos).
    Este tipo de controle funciona melhor para alguns processos em que a sequência de atividades precisa ser flexibilizada (as atividades do processo passam por uma adequação às necessidades da instância), mas requer maior envolvimento do gestor e constantes auditorias para confirmar que os processos estão sendo executados conforme o modelo do processo. Muitas dessas ferramentas permitem exportar dados de execução que podem ser utilizados em uma aplicação de relatórios para monitorar o desempenho do processo.
  • Aplicações de gestão de atividades: Algumas ferramentas como Redmine e Jira permitem determinar uma sequência de atividades baseada em uma máquina de estados criando dependências entre elas. O administrador “configura” a sequência de atividades baseada no fluxo de processo, e as instâncias obedecem a sequência, que é controlada pelo estado do mesmo. Funciona bem para processos de workflow puramente humano e geralmente possuem alguns relatórios para monitoramento, mas não permitem acionar serviços de outros sistemas para buscar dados de algum cadastro existente, por exemplo.
  • Software de pacote: Existem processos que já são considerados commodities. Por exemplo, existe pouca variação em processos de help desk (atendimento a cliente) ou de empréstimo de livros/obras (biblioteca). Para estes casos é comum adquirir um software de pacote que já possui um processo “embutido”. Em alguns casos este tipo de software permite customizações para se adequar ao processo da empresa, mas em geral é a empresa que acaba adequando seu processo ao que a solução possibilita fazer.
  • Aplicação de rastreamento do processo físico: Em alguns casos, os processos precisam continuar existindo fisicamente, através de “pastas de documentos”. Apesar do conteúdo digital já ser uma realidade (prova disso é a Nota Fiscal Eletrônica), muitas organizações ainda demandam que processos baseiem-se em documentos físicos, de papel. Para estes casos, a organização pode manter uma aplicação de histórico no qual, cada vez que um participante vai passar a pasta física “para frente”, ele registra que está finalizando a atividade e para onde os documentos do processo estão indo, possibilitando rastrear a execução do processo.

Na maior parte dos projetos de implantação de processos, entretanto, os benefícios em utilizar um BPMS para controlar, gerenciar e monitorar a execução apresentam um retorno muito melhor para o investimento.

 


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Modelagem de Processos de Negócio: Diferenças entre diagrama, mapa e modelo de processos

Quantas vezes você já se referiu ou ouviu pessoas se referirem a um mesmo desenho de processo como sendo um diagrama de processo ou mapa de processo ou ainda, como um modelo de processo?

Este é um assunto controverso, principalmente para pessoas que estão começando em projetos que envolvem iniciativas de processos de negócio ou iniciando o estudo de BPM.

Dúvida comum que é esclarecida em nosso curso de Modelagem de Processos de Negócio (iPE01). Constatamos que os termos diagrama, mapa e modelo de processos são utilizados, por muitas vezes, de forma errônea, como sinônimos, porém eles na verdade tem diferentes propósitos e aplicações.

Falaremos neste artigo sobre os três níveis de modelagem (diagrama, mapa e modelo), as diferenças em seus desenhos, no nível de detalhamento e utilidade de cada um.

Diagrama, mapa e modelo são três níveis de “representação” de processos.

Estes três níveis de representação de processos diferem-se em níveis de abstração, informação, utilidade, precisão, complexidade, padronização de elementos do fluxo, evolução e amadurecimento do desenho proposto.

diagrama, mapa e modelo de processos

Fazendo uma analogia com mapa geográfico, podemos dizer que o diagrama de processo demonstra a rota que é realizada em uma visão simplificada, com o trajeto percorrido, evidenciando os principais pontos de referência, o local de origem e destino. O mapa do processo apresenta a rota de forma mais detalhada, com elementos como nome de avenidas, ruas, principais pontos de referências, opções de rotas alternativas, trajeto e tempo estimado para cada rota. O modelo de processo apresenta a rota de forma mais completa e precisa, descrevendo a situação atual do trânsito, rota de transporte público, clima na região da rota, além de fotos das avenidas e ruas.

O Diagrama é uma representação inicial do processo. Ele demonstra o fluxo básico focando as principais atividades. Não trata exceções ou falhas no processo.

Utilizado para capturas rápidas no processo, por isto não é muito preciso.
Ajuda a obter entendimento rápido das principais atividades, representando ideias simples em um contexto alto nível.

Esta representação inicial do processo pode significar várias coisas. O diagrama pode representar um macroprocesso organizacional, por exemplo, como também se tratar de apenas um esboço (versão inicial do processo) de uma primeira avaliação.

diagrama de processo

Em um primeiro momento busca-se conhecer os processos identificando as atividades chave. Esta é uma das técnicas mais utilizadas para conhecer os processos organizacionais, conhecida como abordagem top-down, em uma visão de macroprocessos (visão interfuncional) até chegar aos processos operacionais.

Em uma primeira versão, o processo muitas vezes não recebe as informações necessárias para partir diretamente para um nível de mapa ou modelo. Fatores como a precisão e nível de detalhamento influenciam a forma como o processo é modelado. A precisão varia de acordo com a profundidade em que se avalia cada aspecto do processo e suas atividades, e aumenta de acordo com o número de pessoas entrevistadas das áreas que fazem parte dos processos.

O nível de detalhe define o quanto cada processo, sub-processo, atividades, tarefas, procedimentos, atributo ou aspecto é descrito.

O mapa é uma evolução do diagrama, acrescentado de atores, eventos, regras, resultados e um detalhamento do processo. Ampliada para uma visão mais detalhada, o mapa fornece informações de maior precisão do desenho do processo.

Neste nível as atividades do processo e seus objetivos estão mais claros. Foram identificadas as responsabilidades atribuídas ao longo do processo. Isto se deve aos métodos de levantamento de informações utilizadas pela equipe envolvida na iniciativa de BPM.

Através de pesquisas a equipe obteve um entendimento inicial, e segue para as entrevistas com os envolvidos no processo (donos de processos, clientes, fornecedores, pessoas que trabalham no processo, etc). Esta etapa é de grande importância para identificação das regras, validações, caminhos de exceções, papéis e detalhamento de atividades.

Existem diversos métodos para levantamento de informações, como workshops, conferências, observações diretas, etc. Abordaremos este assunto em um próximo post.

A escolha do nível de representação de processos dependerá do propósito da modelagem, em muitos casos, o diagrama ou mapa já são suficientes para representar o processo.

O modelo é a versão final da evolução do processo. Esta representação traz um alto grau de precisão e detalhamento do processo.

Uma grande vantagem é a capacidade de execução do processo através de simulações. Estas simulações geram informações que acercam o desempenho do processo, úteis para analisar/validar a execução do processo.

Este nível de execução requer uma descrição detalhada dos atributos do processo, descrevendo propriedades e características das entradas/saídas, procedimentos/passos, recursos, custos, alocação, simulação, parâmetros de duração, etc. Estes atributos podem ser classificados em categorias e sua documentação varia de acordo com o objetivo da modelagem realizada.

A partir do modelo é possível executar as próximas etapas do ciclo de gestão por processos, como a análise, redesenho, reengenharia, melhoria continua e medição do processo.

Você se interessou pelo assunto?

A área de conhecimento de modelagem de processos fornece o entendimento dos propósitos, benefícios, habilidades e técnicas e é muito utilizada pelas organizações para conhecer, documentar e melhorar processos.
Este tema é explorado com mais profundidade em nosso curso de Modelagem de Processos de Negócio, onde abordamos de forma mais abrangente o tema. http://www.iprocesseducation.com.br/ipe01.html, oferecido pela iProcess Education.

 

Arquitetura típica de BPMS

Os BPMS (Business Process Management Suite, ou System) são uma categoria de software com a capacidade de coordenar a execução de processos de negócio.

Apesar de apresentarem variações, podendo conter ou não alguns componentes, os BPMS essencialmente apresentam uma arquitetura básica comum:

Arquitetura típica de um BPMS (iProcess, 2009/2013)

 

Modelagem

O componente de modelagem é a ferramenta que auxilia o analista a documentar o processo de negócio.

Podem ser utilizadas diferentes notações pela ferramenta de modelagem, embora a mais comum seja BPMN, pela sua facilidade de transformação no modelo que poderá ser implementado tecnicamente para a automação.

Muitas ferramentas dispõem na ferramenta de modelagem recursos como documentação detalhada, integração com a estrutura hierárquica organizacional, funcionalidades de apoio à análise e simulação dos processos.

Desenho Técnico

O componente de desenho técnico é a área de trabalho do desenvolvedor, que irá implementar o processo modelado.

Em alguns BPMS, a ferramenta de desenho técnico pode ser a mesma ou estar integrada à de modelagem. Em outros casos, as ferramentas podem ser distintas.

A ferramenta de desenho técnico pode implementar o processo na mesma notação do processo modelado (em geral BPMN) ou eventualmente poderá requerer uma transformação para outra notação ou linguagem, como BPEL por exemplo.

Motor de Processos (Process engine)

O motor de processos é o componente onde a mágica do controle e execução do processo automatizado acontece.

Quando o modelo do processo implementado está pronto, ele é disponibilizado para o motor de processos. As informações do modelo são armazenadas na base de dados da ferramenta, que passa a usá-las como base para controlar cada etapa da execução.

O motor de processos é responsável por:
  • interpretar o modelo do processo,
  • controlar a execução de acordo com o modelo do processo,
  • interagir com os participantes humanos do processo,
  • invocar e integrar-se com aplicações externas,
  • manter automaticamente atualizada a base de dados de execução do processo.
Quando uma nova instância do processo é disparada, o motor de processos interpreta a próxima etapa, identificando quem deve executar, que dados devem ser fornecidos como entrada, que dados são esperados como saída da sua execução.

O framework de tarefas humanas é o responsável por gerenciar as atividades executadas por usuários, disponibilizando as informações configuradas para a tarefa ao ator responsável através de mecanismos como a lista de trabalho (ou lista de tarefas). Quando um usuário finaliza sua atividade, o framework de tarefas humanas repassa o resultado ao motor de processos, que dá seguimento à execução do processo.

O framework de integração é o responsável por gerenciar o acionamento de mecanismos automáticos, executando serviços, APIs ou scripts de busca ou envio de dados para sistemas de informação como sistemas legados, ERPs ou serviços de agentes externos. Em geral apresenta melhor desempenho quando estas integrações são gerenciadas através de uma arquitetura SOA (para saber mais, leia os artigos “SOA – Arquitetura Orientada a Serviços” e “SOA – A relação com BPM no sucesso da automação de processos“).

Alguns produtos dispõem também de um framework de regras, que gerencia a invocação de regras de negócio. Neste caso, as regras de negócio são mantidas em uma solução denominada BRMS (Business Rules Manager System), viabilizando que gestores do negócio tenham controle sobre os parâmetros que definem a regra, cabendo ao processo apenas executá-la para obter o resultado.
(Leia mais sobre BRMS no artigo Business Rules e a Dinâmica do Negócio)

Repositório de documentos

É natural que em muitos processos de negócio haja o envolvimento de documentos.
Documentos podem ser o gatilho de um processo de negócio, bem como atividades no decorrer da execução do processo podem requerer que documentos sejam associados a ele.

Assim, a maior parte das soluções de BPM disponibilizam mecanismos para vincular documentos a processos em execução, mas elas podem se diferenciar basicamente de duas formas. Muitas soluções viabilizam mecanismos simples de vínculo de documentos, em que os arquivos são armazenados no sistema de diretórios do servidor e oferecem formas de interação simples (anexar, abrir, remover).
Outras soluções mais robustas incorporam ferramentas mais completas de gerenciamento de conteúdo – ECM (Enterprise Content Management), contemplando uma gestão plena sobre o documento, com funcionalidades como versionamento, busca por metadados ou por conteúdo, gerenciamento de validade e expiração, controle de acesso ao conteúdo, entre outros.

Dados de Desempenho e Monitoramento

Sem monitoramento não há gerenciamento. Assim, todo BPMS mantém uma base de informações da execução de cada instância de processo que pode ser usada na geração de dados de desempenho do processo.

Os dados de desempenho são utilizados por ferramentas que possibilitam o monitoramento através de indicadores reportados em relatórios ou painéis gráficos.

A forma como estes dados são disponibilizados para o monitoramento também pode apresentar variações entre as soluções disponíveis no mercado.

Enquanto algumas soluções disponibilizam relatórios tabulares e gráficos para acompanhamento dos indicadores (muitas vezes inclusive com alto grau de customização e personalização), outras ferramentas apresentam componentes mais robustos de Monitoramento Ativo – BAM (Business Activity Monitoring), que possibilitam não apenas visualizar indicadores mas interagir com processos problemáticos.

 

Com tantas variações, como escolher o BPMS certo para minha organização?

Selecionar um BPMS para uso em uma organização passa por compreender a robustez dos componentes disponibilizados pelas soluções de cada fornecedor e avaliá-las frente às necessidades atuais e futuras da organização, levando também em conta aspectos econômicos e culturais. Leia o artigo “A difícil tarefa de escolher uma plataforma BPM para uma organização” para compreender as complexidades envolvidas nesta escolha e estruturar um projeto de seleção.

 

Estudo de Caso: Automatizar o processo (ou não)? Eis a questão!

Recentemente um de nossos leitores nos escreveu sobre seu entusiasmo em iniciar uma experiência prática em BPM. Ele compartilhou conosco um desenho de processo (que discutiremos neste artigo, com a permissão do leitor) cujo objetivo era ser automatizado com dois propósitos: servir como base para a monografia e também validar o BPMS como tecnologia para automatizar processos na empresa de varejo no qual atua na área de TI.

O argumento da escolha do Processo de Pré-venda para esta primeira experiência foi: que fosse pequeno (poucas atividades) para viabilizar a automação no curto tempo para a monografia, mas que ao ser desenvolvido seria usado como piloto para provar a tecnologia na empresa e, dando certo, o processo evoluiria para as etapas seguintes da venda. Portanto, havia uma expectativa de que a automatização dele pudesse demonstrar bons resultados para a organização, a ponto de convencê-los que valeria a pena investir na adoção da solução e a implementação do restante do processo (e eventualmente de expandir a iniciativa para todos os processos da organização).

Embora ter processos executados e controlados por um BPMS (ou um motor de workflow) possa ser parte do ciclo da gestão por processos, não significa que a empresa tenha adotado Business Process Management como filosofia de gestão. Mas, dependendo do contexto organizacional, muitas vezes a iniciativa nasce dentro da TI, em situações como esta.

A questão é: seria este um bom processo para demonstrar resultados iniciais que possam alavancar uma iniciativa maior BPM (e em uma monografia, apresentar resultados satisfatórios)?

É aqui que este artigo realmente começa :-)

A notação BPMN é excelente para representar atividades de um processo de negócio. Mas a especificação não esclarece exatamente o que é o escopo de um processo de negócio, e nem o nível de granularidade, ou mesmo um método de uso. Apenas dispõe os elementos e as regras de uso visando uma padronização no entendimento de um processo mapeado.

Analisamos juntos o processo e percebemos que este diagrama não é um processo de negócio. É apenas uma parte dele, praticamente o fluxo de ações de uma atividade.

Os benefícios típicos da automatização aparecem quando o processo de negócio :
- Envolve mais de uma área da empresa (melhoria da comunicação)
- Permite extrair indicadores que demonstrem o desempenho do processo (melhoria do controle)
- Deve ser controlado para que sua execução siga integralmente o fluxo modelado
-Possibilita  apresentar informações de tempo do processo que possam apoiar as decisões que levarão à sua evolução (quanto tempo o processo leva hoje e quais atividades devem sofrer alguma melhoria para que esse tempo possa ser reduzido).
[Veja mais sobre benefícios típicos da automação de processos no artigo de Paulo Capiotti, Benefícios da Automação de Processos]

Ao analisar o diagrama, desaconselhamos a sua automatização, pois a mesma não obterá nenhum benefício significativo. Justificamos isto apontando alguns argumentos que usamos quando estamos avaliando a viabilidade/ganho ao se automatizar um processo para um cliente:

I. Este processo tem apenas um usuário. No diagrama original há duas lanes, a do vendedor e a do cliente, mas o fato é que o único a interagir diretamente com a interface humana do BPMS, neste caso, será o vendedor. Se ajustarmos o diagrama para representar apenas as atividades que serão automatizadas (conforme abaixo) e colocando o cliente em uma outra pool (já que ele não irá interagir diretamente com o BPMS) isto se torna bastante visível:

II. Todos estes passos acontecem em um curto espaço de tempo. Pelas tarefas mapeadas, percebe-se que elas ocorrem com o cliente ali, na frente do vendedor. Neste caso, ao automatizar cada uma destas tarefas separadamente, poderá gerar um impacto negativo no aspecto da interface, porque para cada “passo” o usuário (vendedor) terá que: procurar a tarefa na lista de trabalho, clicar para abrir, realizar as ações necessárias na tela, finalizar a tarefa (para que o BPMS registre que aquela tarefa foi concluída e verifique qual a nova tarefa, criando um novo item na lista de trabalho), aguardar o refresh da lista de trabalho e então realizar novamente estes passos para cada uma das atividades do fluxo. Em termos de usabilidade, isso se torna desgastante para o usuário porque faz com que ele tenha que dar inúmeros cliques para fazer uma sequência de ações que possivelmente poderia ser condensada em uma única tela. Em outras palavras, esta sequência de ações poderia compor um Caso de Uso (artefato típido da análise de sistemas tradicional).

III. Além disso, se este processo já é executado manualmente, possivelmente há alguma flexibilização na ordem em que estas tarefas ocorrem (por exemplo, em algum caso o vendedor poderia verificar o cadastro do cliente antes de incluir os itens de compra). É importante considerar isso, pois ao automatizar o fluxo no BPMS, ele sempre será executado como foi modelado. Isso implica que nada pode ser feito antes nem depois do previsto – tudo tem que seguir a ordem das tarefas no diagrama. O que é tradicionalmente um benefício da automatização de processos (garantia da integridade da execução), neste caso poderia ser um aspecto negativo, pois não é o engessamento das etapas que queremos (e toda vez que algo precisar ser levemente diferente os usuários dirão que não é possível porque “o sistema não permite”).

Então percebemos que o processo escolhido é, na verdade, apenas uma atividade de um processo de negócio muito maior.

Fica fácil nesta análise perceber que o sucesso de projetos pilotos para a adoção de um sistema de gestão de processos não depende apenas da qualidade do produto, mas também da escolha de um processo com tarefas que possam efetivamente demonstrar bons resultados.

Ao leitor, sugerimos ampliar um pouco mais a abrangência do processo – o que não significa necessariamente que será mais trabalho. Para um piloto como este, recomendamos mapear, em um nivel macro, todo o processo (não apenas esta etapa da pré-venda), e como primeiro esforço de automação identificar pontos de controle que poderiam ser automatizados (seis ou sete tarefas onde o processo muda de status ou há alguma alteração na rota do fluxo).

Alguns desses pontos de controle podem até ser obtidos de sistemas que já existem hoje na empresa, o que demonstraria ainda mais benefícios na automatização do processo. Por exemplo, no sistema que controla os pedidos, fazer com que o processo siga adiante quando a entrega for despachada. Poderia ser agregado ao processo uma tarefa de serviço para buscar essa informação no sistema.

Com um piloto assim, os indicadores podem demonstrar informações muito mais significativas para a organização do que conhecer, por exemplo, quantos minutos está levando a pré-venda. Será possível identificar onde ocorrem os gargalos, que estapas são críticas e estão atrasando o processo, possivelmente até instigar a empresa em investir na análise,  melhoria e medições mais abrangentes, e quiçá em adotar por completo uma filosofia de gestão por processos.

BPM e Workflow – Qual a diferença?

Com o crescimento da temática de Gestão por Processos nas organizações, muitas pessoas tem dúvida de quais seriam as diferenças entre BPM e Workflow. Primeiramente, vamos conceituar cada um destes termos:

  • Workflow é um tipo de tecnologia para automação do fluxo de atividades de um processo, tecnologia esta que existe há varios anos. Com uma ferramenta de workflow, é possível coordenar a execução de um processo de negócio através da execução ordenada de tarefas, que podem ser de responsabilidade de pessoas ou de sistemas.
  • BPM (Business Process Managament), segundo a definição do BPM CBOK, é “uma abordagem disciplinada para identificar, desenhar, executar, documentar, medir, monitorar, controlar e melhorar processos de negócio automatizados ou não para alcançar os resultados pretentidos consistentes e alinhados com as metas estratégicas de uma organização“.

Podemos identificar de imediato que BPM tem uma abordagem e uma área de atuação muito mais abrangente que Worklow. No que se refere a tecnologia, a adoção de BPM geralmente inclui, por exemplo, a utilização de produtos de software para modelagem, análise e desenho de processos (BPA – Business Process Analysis), automação do fluxo de trabalho (Workflow), motores de regras de negócio (BRM – Business Rules Managament), monitoramento de processos de negócio (BAM – Business Activity Monitoring), Gerenciamento de Conteúdo (GED/ECM) e gerenciamento de repositório de processos.

Visão geral - Tecnologia de apoio a BPM

BPM também é uma disciplina, que orienta a empresa a conduzir sua operação numa abordagem horizontal, com o foco voltado aos seus processos de negócio. Desta forma, é perfeitamente possível que uma organização adote BPM e não precise, necessariamente, implementar ou utilizar uma ferramenta de automação ou BPMS (Business Process Managament System), embora o apoio assistido de tecnologia seja cada vez mais importante para a implementação bem sucedida de BPM nas organizações. Não podemos deixar de mencionar que BPM envolve também mudanças na cultura e valores da organização, indo assim muito além de uma simples plataforma tecnológica para apoio a execução dos processos.

Workflow, por sua vez, refere-se apenas a tecnologia que implementa a automação de fluxos de trabalho. Projetos de implementação de workflow normalmente costumam ser ações mais pontuais, específicas e departamentais dentro da organização, sendo frequentemente tentativas de melhoria de processo problemáticos, com foco por exemplo em diminuição de prazo e maior controle das atividades, e na maioria das vezes sem uma abordagem estruturada e planejada de melhoria de processos embasando o trabalho.

Nota-se que as organizações frequentemente utilizam ferramentas de workflow para automatizar processos de apoio (ex: processo de solicitação de viagem), e não processos primários ou core, o que também é um fator relevante a destacar. Também nota-se que as organizações usualmente automatizam processos numa ferramenta de workflow sem passar por uma fase de análise e desenho prévio daqueles processos, ou seja, sem avaliar as necessidades de melhoria e gerar o modelo TO-BE, o que pode levar a resultados pouco satisfatórios.

Com base no que detalhamos até agora, gostaríamos de concluir este artigo alertando para uma certa confusão que existe hoje no mercado, onde temos ferramentas de Workflow que autointitulam-se como “plataforma de BPM” ou “BPMS”, embora na prática implementem apenas uma parte dos conceitos relacionados a BPM (normalmente a automação de fluxo de trabalho, e eventualmente o gerenciamento de documentos).

É importante ter claro que se uma empresa está apenas automatizando fluxos de trabalho utilizando uma ferramenta de Workflow, sem uma abordagem estruturada para gerenciamento e monitoramento de processos de negócios que embase este trabalho, ela não está implementando BPM, mas apenas automatizando seus fluxos de trabalho.