Arquitetura típica de BPMS

Os BPMS (Business Process Management Suite, ou System) são uma categoria de software com a capacidade de coordenar a execução de processos de negócio.

Apesar de apresentarem variações, podendo conter ou não alguns componentes, os BPMS essencialmente apresentam uma arquitetura básica comum:

Arquitetura típica de um BPMS (iProcess, 2009/2013)

 

Modelagem

O componente de modelagem é a ferramenta que auxilia o analista a documentar o processo de negócio.

Podem ser utilizadas diferentes notações pela ferramenta de modelagem, embora a mais comum seja BPMN, pela sua facilidade de transformação no modelo que poderá ser implementado tecnicamente para a automação.

Muitas ferramentas dispõem na ferramenta de modelagem recursos como documentação detalhada, integração com a estrutura hierárquica organizacional, funcionalidades de apoio à análise e simulação dos processos.

Desenho Técnico

O componente de desenho técnico é a área de trabalho do desenvolvedor, que irá implementar o processo modelado.

Em alguns BPMS, a ferramenta de desenho técnico pode ser a mesma ou estar integrada à de modelagem. Em outros casos, as ferramentas podem ser distintas.

A ferramenta de desenho técnico pode implementar o processo na mesma notação do processo modelado (em geral BPMN) ou eventualmente poderá requerer uma transformação para outra notação ou linguagem, como BPEL por exemplo.

Motor de Processos (Process engine)

O motor de processos é o componente onde a mágica do controle e execução do processo automatizado acontece.

Quando o modelo do processo implementado está pronto, ele é disponibilizado para o motor de processos. As informações do modelo são armazenadas na base de dados da ferramenta, que passa a usá-las como base para controlar cada etapa da execução.

O motor de processos é responsável por:
  • interpretar o modelo do processo,
  • controlar a execução de acordo com o modelo do processo,
  • interagir com os participantes humanos do processo,
  • invocar e integrar-se com aplicações externas,
  • manter automaticamente atualizada a base de dados de execução do processo.
Quando uma nova instância do processo é disparada, o motor de processos interpreta a próxima etapa, identificando quem deve executar, que dados devem ser fornecidos como entrada, que dados são esperados como saída da sua execução.

O framework de tarefas humanas é o responsável por gerenciar as atividades executadas por usuários, disponibilizando as informações configuradas para a tarefa ao ator responsável através de mecanismos como a lista de trabalho (ou lista de tarefas). Quando um usuário finaliza sua atividade, o framework de tarefas humanas repassa o resultado ao motor de processos, que dá seguimento à execução do processo.

O framework de integração é o responsável por gerenciar o acionamento de mecanismos automáticos, executando serviços, APIs ou scripts de busca ou envio de dados para sistemas de informação como sistemas legados, ERPs ou serviços de agentes externos. Em geral apresenta melhor desempenho quando estas integrações são gerenciadas através de uma arquitetura SOA (para saber mais, leia os artigos “SOA – Arquitetura Orientada a Serviços” e “SOA – A relação com BPM no sucesso da automação de processos“).

Alguns produtos dispõem também de um framework de regras, que gerencia a invocação de regras de negócio. Neste caso, as regras de negócio são mantidas em uma solução denominada BRMS (Business Rules Manager System), viabilizando que gestores do negócio tenham controle sobre os parâmetros que definem a regra, cabendo ao processo apenas executá-la para obter o resultado.
(Leia mais sobre BRMS no artigo Business Rules e a Dinâmica do Negócio)

Repositório de documentos

É natural que em muitos processos de negócio haja o envolvimento de documentos.
Documentos podem ser o gatilho de um processo de negócio, bem como atividades no decorrer da execução do processo podem requerer que documentos sejam associados a ele.

Assim, a maior parte das soluções de BPM disponibilizam mecanismos para vincular documentos a processos em execução, mas elas podem se diferenciar basicamente de duas formas. Muitas soluções viabilizam mecanismos simples de vínculo de documentos, em que os arquivos são armazenados no sistema de diretórios do servidor e oferecem formas de interação simples (anexar, abrir, remover).
Outras soluções mais robustas incorporam ferramentas mais completas de gerenciamento de conteúdo – ECM (Enterprise Content Management), contemplando uma gestão plena sobre o documento, com funcionalidades como versionamento, busca por metadados ou por conteúdo, gerenciamento de validade e expiração, controle de acesso ao conteúdo, entre outros.

Dados de Desempenho e Monitoramento

Sem monitoramento não há gerenciamento. Assim, todo BPMS mantém uma base de informações da execução de cada instância de processo que pode ser usada na geração de dados de desempenho do processo.

Os dados de desempenho são utilizados por ferramentas que possibilitam o monitoramento através de indicadores reportados em relatórios ou painéis gráficos.

A forma como estes dados são disponibilizados para o monitoramento também pode apresentar variações entre as soluções disponíveis no mercado.

Enquanto algumas soluções disponibilizam relatórios tabulares e gráficos para acompanhamento dos indicadores (muitas vezes inclusive com alto grau de customização e personalização), outras ferramentas apresentam componentes mais robustos de Monitoramento Ativo – BAM (Business Activity Monitoring), que possibilitam não apenas visualizar indicadores mas interagir com processos problemáticos.

 

Com tantas variações, como escolher o BPMS certo para minha organização?

Selecionar um BPMS para uso em uma organização passa por compreender a robustez dos componentes disponibilizados pelas soluções de cada fornecedor e avaliá-las frente às necessidades atuais e futuras da organização, levando também em conta aspectos econômicos e culturais. Leia o artigo “A difícil tarefa de escolher uma plataforma BPM para uma organização” para compreender as complexidades envolvidas nesta escolha e estruturar um projeto de seleção.

 

Estudo de Caso: Automatizar o processo (ou não)? Eis a questão!

Recentemente um de nossos leitores nos escreveu sobre seu entusiasmo em iniciar uma experiência prática em BPM. Ele compartilhou conosco um desenho de processo (que discutiremos neste artigo, com a permissão do leitor) cujo objetivo era ser automatizado com dois propósitos: servir como base para a monografia e também validar o BPMS como tecnologia para automatizar processos na empresa de varejo no qual atua na área de TI.

O argumento da escolha do Processo de Pré-venda para esta primeira experiência foi: que fosse pequeno (poucas atividades) para viabilizar a automação no curto tempo para a monografia, mas que ao ser desenvolvido seria usado como piloto para provar a tecnologia na empresa e, dando certo, o processo evoluiria para as etapas seguintes da venda. Portanto, havia uma expectativa de que a automatização dele pudesse demonstrar bons resultados para a organização, a ponto de convencê-los que valeria a pena investir na adoção da solução e a implementação do restante do processo (e eventualmente de expandir a iniciativa para todos os processos da organização).

Embora ter processos executados e controlados por um BPMS (ou um motor de workflow) possa ser parte do ciclo da gestão por processos, não significa que a empresa tenha adotado Business Process Management como filosofia de gestão. Mas, dependendo do contexto organizacional, muitas vezes a iniciativa nasce dentro da TI, em situações como esta.

A questão é: seria este um bom processo para demonstrar resultados iniciais que possam alavancar uma iniciativa maior BPM (e em uma monografia, apresentar resultados satisfatórios)?

É aqui que este artigo realmente começa :-)

A notação BPMN é excelente para representar atividades de um processo de negócio. Mas a especificação não esclarece exatamente o que é o escopo de um processo de negócio, e nem o nível de granularidade, ou mesmo um método de uso. Apenas dispõe os elementos e as regras de uso visando uma padronização no entendimento de um processo mapeado.

Analisamos juntos o processo e percebemos que este diagrama não é um processo de negócio. É apenas uma parte dele, praticamente o fluxo de ações de uma atividade.

Os benefícios típicos da automatização aparecem quando o processo de negócio :
– Envolve mais de uma área da empresa (melhoria da comunicação)
– Permite extrair indicadores que demonstrem o desempenho do processo (melhoria do controle)
– Deve ser controlado para que sua execução siga integralmente o fluxo modelado
-Possibilita  apresentar informações de tempo do processo que possam apoiar as decisões que levarão à sua evolução (quanto tempo o processo leva hoje e quais atividades devem sofrer alguma melhoria para que esse tempo possa ser reduzido).
[Veja mais sobre benefícios típicos da automação de processos no artigo de Paulo Capiotti, Benefícios da Automação de Processos]

Ao analisar o diagrama, desaconselhamos a sua automatização, pois a mesma não obterá nenhum benefício significativo. Justificamos isto apontando alguns argumentos que usamos quando estamos avaliando a viabilidade/ganho ao se automatizar um processo para um cliente:

I. Este processo tem apenas um usuário. No diagrama original há duas lanes, a do vendedor e a do cliente, mas o fato é que o único a interagir diretamente com a interface humana do BPMS, neste caso, será o vendedor. Se ajustarmos o diagrama para representar apenas as atividades que serão automatizadas (conforme abaixo) e colocando o cliente em uma outra pool (já que ele não irá interagir diretamente com o BPMS) isto se torna bastante visível:

II. Todos estes passos acontecem em um curto espaço de tempo. Pelas tarefas mapeadas, percebe-se que elas ocorrem com o cliente ali, na frente do vendedor. Neste caso, ao automatizar cada uma destas tarefas separadamente, poderá gerar um impacto negativo no aspecto da interface, porque para cada “passo” o usuário (vendedor) terá que: procurar a tarefa na lista de trabalho, clicar para abrir, realizar as ações necessárias na tela, finalizar a tarefa (para que o BPMS registre que aquela tarefa foi concluída e verifique qual a nova tarefa, criando um novo item na lista de trabalho), aguardar o refresh da lista de trabalho e então realizar novamente estes passos para cada uma das atividades do fluxo. Em termos de usabilidade, isso se torna desgastante para o usuário porque faz com que ele tenha que dar inúmeros cliques para fazer uma sequência de ações que possivelmente poderia ser condensada em uma única tela. Em outras palavras, esta sequência de ações poderia compor um Caso de Uso (artefato típido da análise de sistemas tradicional).

III. Além disso, se este processo já é executado manualmente, possivelmente há alguma flexibilização na ordem em que estas tarefas ocorrem (por exemplo, em algum caso o vendedor poderia verificar o cadastro do cliente antes de incluir os itens de compra). É importante considerar isso, pois ao automatizar o fluxo no BPMS, ele sempre será executado como foi modelado. Isso implica que nada pode ser feito antes nem depois do previsto – tudo tem que seguir a ordem das tarefas no diagrama. O que é tradicionalmente um benefício da automatização de processos (garantia da integridade da execução), neste caso poderia ser um aspecto negativo, pois não é o engessamento das etapas que queremos (e toda vez que algo precisar ser levemente diferente os usuários dirão que não é possível porque “o sistema não permite”).

Então percebemos que o processo escolhido é, na verdade, apenas uma atividade de um processo de negócio muito maior.

Fica fácil nesta análise perceber que o sucesso de projetos pilotos para a adoção de um sistema de gestão de processos não depende apenas da qualidade do produto, mas também da escolha de um processo com tarefas que possam efetivamente demonstrar bons resultados.

Ao leitor, sugerimos ampliar um pouco mais a abrangência do processo – o que não significa necessariamente que será mais trabalho. Para um piloto como este, recomendamos mapear, em um nivel macro, todo o processo (não apenas esta etapa da pré-venda), e como primeiro esforço de automação identificar pontos de controle que poderiam ser automatizados (seis ou sete tarefas onde o processo muda de status ou há alguma alteração na rota do fluxo).

Alguns desses pontos de controle podem até ser obtidos de sistemas que já existem hoje na empresa, o que demonstraria ainda mais benefícios na automatização do processo. Por exemplo, no sistema que controla os pedidos, fazer com que o processo siga adiante quando a entrega for despachada. Poderia ser agregado ao processo uma tarefa de serviço para buscar essa informação no sistema.

Com um piloto assim, os indicadores podem demonstrar informações muito mais significativas para a organização do que conhecer, por exemplo, quantos minutos está levando a pré-venda. Será possível identificar onde ocorrem os gargalos, que estapas são críticas e estão atrasando o processo, possivelmente até instigar a empresa em investir na análise,  melhoria e medições mais abrangentes, e quiçá em adotar por completo uma filosofia de gestão por processos.

BPM e Workflow – Qual a diferença?

Com o crescimento da temática de Gestão por Processos nas organizações, muitas pessoas tem dúvida de quais seriam as diferenças entre BPM e Workflow. Primeiramente, vamos conceituar cada um destes termos:

  • Workflow é um tipo de tecnologia para automação do fluxo de atividades de um processo, tecnologia esta que existe há varios anos. Com uma ferramenta de workflow, é possível coordenar a execução de um processo de negócio através da execução ordenada de tarefas, que podem ser de responsabilidade de pessoas ou de sistemas.
  • BPM (Business Process Managament), segundo a definição do BPM CBOK, é “uma abordagem disciplinada para identificar, desenhar, executar, documentar, medir, monitorar, controlar e melhorar processos de negócio automatizados ou não para alcançar os resultados pretentidos consistentes e alinhados com as metas estratégicas de uma organização“.

Podemos identificar de imediato que BPM tem uma abordagem e uma área de atuação muito mais abrangente que Worklow. No que se refere a tecnologia, a adoção de BPM geralmente inclui, por exemplo, a utilização de produtos de software para modelagem, análise e desenho de processos (BPA – Business Process Analysis), automação do fluxo de trabalho (Workflow), motores de regras de negócio (BRM – Business Rules Managament), monitoramento de processos de negócio (BAM – Business Activity Monitoring), Gerenciamento de Conteúdo (GED/ECM) e gerenciamento de repositório de processos.

Visão geral - Tecnologia de apoio a BPM

BPM também é uma disciplina, que orienta a empresa a conduzir sua operação numa abordagem horizontal, com o foco voltado aos seus processos de negócio. Desta forma, é perfeitamente possível que uma organização adote BPM e não precise, necessariamente, implementar ou utilizar uma ferramenta de automação ou BPMS (Business Process Managament System), embora o apoio assistido de tecnologia seja cada vez mais importante para a implementação bem sucedida de BPM nas organizações. Não podemos deixar de mencionar que BPM envolve também mudanças na cultura e valores da organização, indo assim muito além de uma simples plataforma tecnológica para apoio a execução dos processos.

Workflow, por sua vez, refere-se apenas a tecnologia que implementa a automação de fluxos de trabalho. Projetos de implementação de workflow normalmente costumam ser ações mais pontuais, específicas e departamentais dentro da organização, sendo frequentemente tentativas de melhoria de processo problemáticos, com foco por exemplo em diminuição de prazo e maior controle das atividades, e na maioria das vezes sem uma abordagem estruturada e planejada de melhoria de processos embasando o trabalho.

Nota-se que as organizações frequentemente utilizam ferramentas de workflow para automatizar processos de apoio (ex: processo de solicitação de viagem), e não processos primários ou core, o que também é um fator relevante a destacar. Também nota-se que as organizações usualmente automatizam processos numa ferramenta de workflow sem passar por uma fase de análise e desenho prévio daqueles processos, ou seja, sem avaliar as necessidades de melhoria e gerar o modelo TO-BE, o que pode levar a resultados pouco satisfatórios.

Com base no que detalhamos até agora, gostaríamos de concluir este artigo alertando para uma certa confusão que existe hoje no mercado, onde temos ferramentas de Workflow que autointitulam-se como “plataforma de BPM” ou “BPMS”, embora na prática implementem apenas uma parte dos conceitos relacionados a BPM (normalmente a automação de fluxo de trabalho, e eventualmente o gerenciamento de documentos).

É importante ter claro que se uma empresa está apenas automatizando fluxos de trabalho utilizando uma ferramenta de Workflow, sem uma abordagem estruturada para gerenciamento e monitoramento de processos de negócios que embase este trabalho, ela não está implementando BPM, mas apenas automatizando seus fluxos de trabalho.

BPMN: Diferenças entre eventos de Link, Message e Signal

Um dos componentes mais poderosos, e mais difíceis de aprender em BPMN, são os eventos e seus gatilhos (triggers). A especificação BPMN descreve diversos tipos de gatilhos para os eventos, mas não esclarece como ou quando devem ser utilizados.

De forma especial, uma dúvida comum são as diferenças entre estes três gatilhos de eventos de BPMN: link, message e signal.

Link é um elemento de ligação que ajuda a abstrair conexões de sequência em um mesmo processo. Alguns profissionais sugerem que o link seja usado para dar seguimento do desenho do processo em outra página, como em uma documentação, por exemplo. Este é um uso possível, mas dado que a maioria das ferramentas de modelagem atualmente não faz paginação (o diagrama é desenhado em uma única área de trabalho) esta não é a única situação de utilização.

Uma das principais utilidades do evento de link, ao meu ver, é a de abstrair a sequência entre atividades que estão distantes no mapeamento, evitando conectores de fluxo de sequência longos que cruzem inúmeros outros.

No exemplo, os eventos de link com o mesmo nome conectam "virtualmente" pontos distantes do processo, fazendo com que após a atividade 'Verificar condições de férias' o processo siga em sua execução, iniciando a atividade 'Avaliar solicitação de férias'. Com isso, a sobreposição de sequence flows foi evitada, deixando o processo mais legível.

O link só é usado como evento intermediário, e por significar uma sequência implícita não pode ser usado para ligar processos diferentes. Isto significa que, no caso de processos desenhados utilizando pools, não podemos usar eventos de link para fazer com que um processo em uma pool dê continuidade à execução de um outro processo, em outra pool.

Assim, a principal diferença entre o evento de link e para os de message e signal reside no fato de que o primeiro é usado para conectar a sequência de um mesmo processo, enquanto os dois outros tratam da comunicação entre processos.

Entre estes dois eventos – message e signal -, a diferença é um pouco mais discreta. Ambos podem ser utilizados para a comunicação entre processos distintos.

O evento de message é usado para a transmissão/recebimento de informações entre processos. Esta troca de informações, de acordo com a especificação BPMN, pode ocorrer por qualquer meio: verbal, escrita, via email, ou até mesmo sistemática. O foco está no aspecto de que há um emitente (demonstrado através do evento throw message) e um destinatário (demonstrado através do evento catch message). O emitente conhece o destinatário, assim como o destinatário sabe de quem receberá a mensagem (mesmo que os dois processos que se comunicam não estejam desenhados no mesmo diagrama).

Neste exemplo, há uma transmissão de informação de um processo para o outro, representado através da Comunicação do número de participantes do Processo de Inscrições para o Processo de Logística de Treinamentos.

Para mais dicas sobre como modelar corretamente diagramas com comunicação entre processos, veja a postagem BPMN: Modelando corretamente o fluxo de sequência de atividades.

Signal também pode ser utilizado para a comunicação intra e entre processos. A diferença é que enquanto a mensagem tem um destinatário específico, o sinal pode ter um emitente e inúmeros destinatários – e eles não necessariamente se conhecem. O funcionamento do signal é como um broadcast: o throw signal emitirá o sinal (como um apito) e todos os processos que estão aguardando aquele sinal (catch signal) o captarão, dando sequência aos seus fluxos.

Além disso, não há transmissão de informações no envio de sinal. Ele é realmente apenas como um apito, alertando que o evento ocorreu, e que quem estivesse aguardando por ele, agora pode prosseguir com seu processo.

Os diagramas acima demonstram um conjunto de processos sincronizados através de Signals para apoiar o Processo de Monitoramento das Linhas de Comunicação de uma operadora de crédito, que disponibliza as "maquininhas" de cartão nas lojas. O Processo de "Monitoramento da Comunicação" possui uma atividade recorrente que monitora, constantemente, se as linhas telefônicas utilizadas estão todas disponíveis. Se for identificada falha em uma linha de comunicação, o processo dispara um evento de sinal "Erros em linhas de comunicação". Esse sinal é o gatilho de disparo para dois processos: "Processo de Restabelecimento da Comunicação" e "Processo de Contingência da Comunicação". O Processo de restabelecimento inicia um conjunto de atividades para buscar o restabelecimento do serviço. Enquanto isso, o Processo de contingência aguarda algum tempo para verificar novamente se as linhas foram restabelecidas antes de iniciar as ações de contingência (possivelmente porque a contingência tem um custo mais elevado, de forma que a esperar algum tempo para o restabelecimento das linhas pode ainda ser mais viável para a empresa). Depois que as linhas forem restabelecidas pelo "Processo de Restabelecimento da Comunicação", este processo emite o sinal "Linhas de comunicação restabelecidas" e dá seguimento para o cálculo da multa com a operadora de telefonia. O sinal emitido faz com que o Processo de Contingência dê seguimento ao seu fluxo para desligar a contingência (já que a operação voltou ao normal), e também dispara o processo de "Avaliação de SLA do Cliente", no qual são analisados os clientes impactados pela falha no serviço e realiza-se a negociação de possíveis multas pela quebra do nível de serviço.

Signal também pode ser utilizado para a sincronização de um processo com múltiplas instâncias de um outro processo. É o caso do excelente exemplo apresentado no artigo A case for BPMN Signal, por Anatoly Belychook no blog Process is the Main Thing.

Resumindo:

  • Link events são usados para abstrair sequência de atividades em um mesmo diagrama de processo, e por isso só podem conectar uma ponta de um processo a outra de um mesmo processo.
  • Message events são usados para abstrair a comunicação entre processos, e portanto não devem ser utilizados para demonstrar sequência de atividades. Os eventos de message possuem emitente e destinatário conhecidos.
  • Signal events são usados para realizar broadcast de sinal, onde o emitente envia o sinal sem conhecer seus destinatários.

Avaliando o real custo-benefício de BPMS livres ou de baixo custo

No nosso último post falamos sobre os motivos que tornam a escolha de uma plataforma de BPMS tão difícil (veja aqui).

Aprofundando a questão da seleção de plataformas, um equívoco muito comum está no fato dos profissionais acreditarem que soluções de BPMS livres ou de baixo custo são sempre mais baratas do que as ferramentas pagas. Por vários fatores que veremos a seguir esta premissa nem sempre é verdadeira, sendo fundamental que os seguintes fatores sejam analisados:

  1. Investimento total na ferramenta no longo prazo: Nem sempre o custo de licenciamento é o maior custo na aquisição de uma solução BPMS, principalmente quando visto a médio ou longo prazo. Muitas vezes, o custo de um contrato de suporte e manutenção de uma ferramenta gratuíta é significativamente maior ao final de 3 ou 5 anos do que a soma dos custos de licenciamento e contrato de manutenção de outras ferramentas, de modo que este custo não pode ser analisado somente no primeiro ano.
  2. Requisitos disponibilizados pela ferramenta: Para evitar que o barato saia caro, analise o quanto a solução escolhida é aderente às necessidades da sua empresa. Caso existam requisitos obrigatórios ou opcionais que ela não atenda, verifique qual será o impacto da solução escolhida não ter estas funcionalidades.
  3. Benefícios (reais) de uma solução Open Source: A escolha de uma solução open source (quando o fabricante disponibiliza o acesso ao código fonte do produto) nem sempre traz o benefício esperado pela organização. Via de regra, fornecedores que dão suporte e manutenção às suas ferramentas não permitem, durante o período de vigência do contrato, que seus clientes alterem o seu código fonte, pois isso inviabilizaria o contrato de suporte.
  4. Características do suporte oferecido pelo fabricante: É fundamental verificar como é o nível de suporte fornecido pelo fabricante: Questões como a existência de suporte no país, a língua em que é prestado o atendimento, a possibilidade de se obter um atendimento no local, a disponibilidade 24×7, a existência ou não de um limite de abertura de chamados e o tempo de atendimento à produção devem ser analisados de modo a verificar se o suporte irá atender às expectativas.
  5. Existência de mão de obra qualificada: Uma ferramenta de BPMS, por si só, é uma caixa vazia: não tem nenhuma utilidade enquanto os processos não forem desenvolvidos. Assim, a disponibilidade de mão de obra capacitada para realizar este desenvolvimento torna-se um fator crucial.
  6. Esforço para a formação de um profissional apto a operar com a plataforma: Uma alternativa para uma eventual falta de mão de obra qualificada é a organização investir na formação de pessoal capacitado. Aqui, torna-se fundamental avaliar qual a complexidade desta formação: Quais os pré-requisitos mínimos de conhecimento de um profissional que venha a se capacitar? Como é a qualidade do material de capacitação fornecido pelo fornecedor? Existem instrutores disponíveis para realizar esta formação? Ou existe uma material de auto-estudo que permita esta capacitação? O quão rico é este material?
  7. Verifique o custo da mão de obra especializada: De nada adianta a organização economizar em licenciamento e gastar muito mais a cada projeto de automação que for realizar. Desta forma, é importante que se avalie qual o custo da mão de obra especializada em operar a ferramenta de BPM.
  8. Qual a produtividade oferecida pela plataforma: Finalmente, a produtividade também é um fator essencial na análise de custo entre plataformas distintas. Semelhante à questão do custo da mão de obra, uma plataforma que render uma produtividade significativamente superior às outras pode ter o seu custo de licenciamento pago rapidamente ao final de um primeiro ou segundo projeto de automação.

Qual o melhor BPMS do Mercado?

Frequentemente, clientes e prospects perguntam aos consultores da iProcess qual é a melhor ferramenta de BPMS existente hoje no mercado. Infelizmente não existe uma resposta única para esta questão e a dificuldade em respondê-la advém de inúmeros fatores.

Nesse post procuramos elencar alguns dos motivos pelas quais a escolha de uma plataforma de BPM é uma escolha tão difícil.

  1. Por ser uma escolha corporativa: soluções de BPMS não são soluções departamentais: assim como os processos, que possuem uma natureza transversal na organização, uma solução de BPMS tende a ser utilizada por toda a organização.
  2. Pela necessidade de atender diferentes necessidades: sendo uma escolha corporativa, a escolha da solução de BPMS deve atender a um conjunto amplo de demandas: caso contrário, corre-se o risco de se deixar alguma necessidade organizacional à descoberta. Isso exige que um amplo levantamento de expectativas deve ser realizado antes da sua seleção, de modo a evitar uma quebra de expectativa após a escolha da solução.
  3. Pelo enorme conjunto de funcionalidades disponíveis: Existem hoje mapeados na iProcess mais de 600 requisitos que podem ser avaliados na escolha de uma ferramenta de BPMS. Obviamente nenhuma ferramenta atende a estes 600 requisitos, e tão pouco é comum as empresas terem demandas tão complexas a ponto de necessitar todos estes requisitos sejam atendidos como obrigatórios. Desta forma, o casamento entre o que a empresa precisa e o que a plataforma disponibiliza é um fator crítico de sucesso na escolha da plataforma.
  4. Pelo número de alternativas que existem hoje no mercado: Existem hoje centenas de ferramentas de BPMS disponíveis no mercado. Só no Brasil são fabricadas dezenas, sem contar tantas outras que possuem escritórios de representação instalados no país.
  5. Pelo enfoque dado pelo fabricante ao conceber o seu produto: Via de regra os produtos de BPMS possuem categorias de funcionalidades que se destacam dos demais devido a forma como surgiu o produto. Produtos de BPMS se originaram de diferentes segmentos tecnológicos, tais como a gestão de conteúdo, a colaboração, a integração entre sistemas, a edição de formulários, …
  6. Pela enorme variação de valores financeiros envolvidos: Existem atualmente produtos para todos os bolsos e gostos: desde aqueles que são totalmente gratuítos (mas que possuem contratos de suporte e manutenção) até aqueles cujo o licenciamento pode chegar à centena de milhares de dólares. A forma de licenciamento também tem o impacto direto na sua precificação, sendo os tipos mais comuns as licenças por usuário ou processador.
  7. Pelas plataformas tecnológicas existentes na organização: As plataformas tecnológicas disponíveis dentro da organização podem facilitar ou inviabilizar a escolha de uma plataforma de BPM. Questões como, por exemplo, o sistema operacional utilizado nos computadores clientes e servidores (Windows, Linux, Unix, …); o banco de dados da organização (Oracle, DB2, Postgress, SQL Server, …); o servidor de aplicação disponível (IIS, Apache, WebLogic, Websphere, …); a linguagem de desenvolvimento utilizada (Java, .NET, PHP, …) podem ser fundamentais na análise de aderência de uma ferramenta de BPMS à plataforma atual.

A escolha certa de uma plataforma de BPM passa por uma análise detalhada de cada um destes fatores. É importante ter em mente que a escolha inadequada de uma solução de BPMS pode inviabilizar a execução de alguns processos de negócio da sua organização e, em última análise, até mesmo as suas iniciativas de gestão por processos.

[Atualizado] Leia também: ferramentas BPMS livres ou de baixo custo são sempre mais baratas do que as ferramentas pagas?

Até lá.