Uso do MDS (MetaData Service) no Oracle SOA Suite

O Oracle SOA Suite, solução da Oracle para integração de sistemas e automação de processos, na sua versão 11g, trouxe muitas novidades, se compararmos com a versão 10g. Uma delas foi o MDS, ou o MetaData Service. Nesse post vamos falar sobre ele, procurando esclarecer para que serve e como utilizá-lo.

Definição
O MDS é um repositório unificado para armazenamento de arquivos (metadados) usados nos projetos do SOA Suite. Quando, por exemplo, um projeto BPEL ou BPM é implementado (deploy) os seus arquivos são armazenados no MDS.

Além disso, é possível utilizar o MDS para outros fins, como, por exemplo, compartilhar artefatos comuns entre os vários projetos, sejam eles schemas XML (XSD), arquivos EDL, DVM ou WSDL.

Porque usar o MDS para artefatos comuns?
O MDS provê maior segurança e melhor manutenção dos artefatos comuns aos projetos do SOA Suite. Existe total compatibilidade com o JDeveloper (IDE de desenvolvimento) para visualizar o conteúdo do repositório e total compatilidade do EM para a sua manutenção.

Um exemplo de situação que justifica o uso do MDS é quando um arquivo XSD é compartilhado por vários projetos, o que ocorre com certa freqüência quando utilizamos modelos canônicos. Ter uma cópia desse arquivo em cada projeto pode gerar um problema de manutenção (pensemos que, cada nova versão do arquivo deveria ser replicada 10, 20 vezes, dependendo da quantidade de projetos envolvidos na integração). Se utilizamos o MDS, os projetos envolvidos farão uma referência para ele no repositório e, sempre que o arquivo XSD for atualizado, automaticamente todos os projetos também estarão atualizados.

Como utilizar o MDS
Existem duas versões do MDS: uma armazenada em forma de arquivos e outra registrada no banco de dados (servidor). A primeira é usada para o desenvolvimento e pode ser salva, por exemplo, num repositório subversion (GIT, SVN, CVS, TFS, etc), de forma que todos os desenvolvedores tenham acesso ao conteúdo.

A versão do banco de dados, por sua vez, será aquela utilizada pelo servidor SOA Suite, que estará rodando sobre um server Weblogic. Assim será necessário implementar (deploy) o conteúdo dos arquivos no banco de dados para que o servidor tenha acesso ao conteúdo atualizado pelos desenvolvedores.

Cada projeto utiliza um padrão próprio para implantação (deploy) dos projetos no servidor SOA Suite. Esse artigo explica como criar a árvore de arquivos e como atualizar o MDS da maneira nativa, ou seja, via JDeveloper.

Uma vez que o MDS esteja configurado e com o conteúdo armazenado, a referenciação dentro do projeto é bastante simples, bastando informar, na localização, o caminho completo dentro do MDS e incluindo o prefixo oramds. Veja no exemplo:

  • Para referenciar o XSD que está no caminho apps/MyCannonical: oramds:/apps/MyCannonical.xsd
  • Para referenciar um WSDL:

 

Utilizar o MDS em projetos SOA Suite é uma opção de arquitetura que pode simplificar muito o desenvolvimento. Porém, é necessário que exista um forte controle das atualizações dos arquivos locais e do banco de dados. Trabalhar com multi-desenvolvedores também pode causar algum tipo de transtorno caso isso não ocorra.

Podem haver problemas, também, no uso compartilhado do conteúdo do repositório. Indispensável dizer que deve haver uma preocupação muito grande quando esses artefatos forem atualizados, evitando incompatibilidade com outros projetos.

Quando usar o OSB, Oracle BPEL ou Oracle BPM

Estivemos presentes no Oracle Open World Brasil 2012 e tivemos a oportunidade de ter uma agradável conversa com um consultor da Oracle sobre uma dúvida recorrente entre os nossos clientes. Por mais que saibamos para ‘que serve’ cada produto, muitas vezes, em projetos de automação de processos e de integração de sistemas, existe a dúvida: quando utilizar OSB, Oracle BPEL e Oracle BPM?

Usando do expertise da iProcess e da Oracle buscamos alguns pontos que podem ajudar na tomada de decisão. São eles:

  • BPEL e BPM possuem a auditoria completa da execução da instância de orquestração e do processo automatizado. Assim, se o serviço precisa de auditoria, sugere-se escolher um deles. OSB não tem esse requisito.
  • O seu projeto vai produzir eventos que irão ser integrados ao Oracle BAM? BPEL e BPM possuem esse recurso e o desenvolvimento é rápido e fácil com ele. OSB, não.
  • É necessário utilizar o error hospital, incluindo a ressubmissão de mensagens etrace completo no caso de erro? Essa também é uma característica do BPEL e BPM.
  • BPEL/BPM são stateful (guarda o estado do processo) e OSB é stateless (não guarda o estado do processo). Ou seja, caso seja necessário ter uma execução de longa duração (de alguns minutos a vários dias) que aguarde eventos intermediários e tome decisões baseado no estado atual do processo e mais os dados do evento recebido, deve-se utilizar BPEL/BPM. Caso a execução leve apenas alguns segundos e todas as decisões ocorram apenas com base nos dados recebidos no momento da chamada, pode-se utilizar OSB. Para saber mais sobre stateless/stateful, veja esse artigo.
  • O projeto prevê a existência de tarefas humanas? Opte por BPM. O BPEL também é uma alternativa (já que a infraestrutura do SOA Suite é a mesma para ambos). OSB não possui esse recurso.
  • Entre BPM e BPEL, qual escolher? Ambos são ótimas soluções. No caso de não haver grande diferença entre um e outro, hoje em dia sugere-se utilizar o BPM pela simplicidade no aprendizado e na pouca quantidade de código envolvido. O BPEL ainda necessita um conhecimento mais aprofundado de XML e seus correlatos. Outro ponto é que BPM usa BPMN como notação para representar o fluxo do processo, que é muito mais facil de ser compreendida pelo negócio tanto no desenho do processo a ser automatizado quanto no acompanhamento da execução das instâncias.
Certamente muitos outros aspectos devem ser considerados nessa tomada de decisão, incluindo o tempo de processamento do serviço, se ele será síncrono ou assíncrono, etc. Mas os pontos acima podem ser úteis para, ao menos, eliminar uma ou outra opção.
(Com a contribuição de Leonardo Fagundes, Kelly Sganderla e Rafael Andrade).